O deputado estadual Val Ceasa está entre os alvos de uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), que apura uma possível tentativa de órgãos públicos de impedir a demolição de imóveis ligados ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, apontado como líder do Terceiro Comando Puro (TCP).
A ação ocorreu nesta quinta-feira (18) e também envolveu o ex-vereador Ulisses Marins e o ex-assessor parlamentar Jair de Mendes. Foram expedidos 14 mandados de busca e apreensão em endereços na capital, na Ceasa, no Espírito Santo e no gabinete de Val Ceasa na Assembleia Legislativa.
De acordo com as investigações, os agentes públicos tentaram obter informações sigilosas junto à Polícia Militar sobre uma operação de demolição de construções relacionadas à facção criminosa no bairro de Parada de Lucas, no Complexo de Israel. A apuração busca determinar se esses contatos buscaram usar a influência de cargos públicos para impedir a ação, alegando que os imóveis seriam destinados a projetos sociais. No entanto, até o momento, essa versão não foi confirmada pelas investigações. Após a operação, a demolição foi adiada.
O caso ganhou destaque após investigações relatarem a existência de um espaço conhecido como “resort de Peixão” na Cidade Alta, que, atribuído ao traficante, tinha estrutura de lazer e uma placa indicando realização de um projeto social voltado a diferentes faixas etárias. Nessa placa, nomes como o da deputada federal Dani Cunha, do ex-vereador Ulisses Marins e do deputado estadual Val Ceasa estavam destacados. Essa relação despertou o interesse dos investigadores quanto a uma possível aproximação entre políticos e membros do tráfico.
A investigação também está relacionada a informações obtidas pela Polícia Federal, que detectou conversas entre líderes do Comando Vermelho (CV) sobre a busca por apoio de políticos influentes. Em uma dessas mensagens, traficantes mencionam o nome de Val Ceasa ao discutirem contatos políticos, levando os investigadores a suspeitar de tentativas do grupo de ampliar seu alcance através de agentes públicos.
Val Ceasa nega qualquer vínculo com organizações criminosas e afirmou que sua menção em conversas alheias não implica relação pessoal ou compromisso com integrantes do tráfico. O MPRJ informa que a operação visa reunir provas a respeito de uma eventual atuação de agentes públicos em benefício do TCP. Os materiais coletados estão sendo analisados e podem resultar em novos desdobramentos na investigação.
Até o momento, nenhum investigado foi formalmente denunciado à Justiça, e o procedimento corre sob sigilo.
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