Nesta quarta-feira, a Polícia Civil e Militar do Rio de Janeiro realizaram a operação Trinus, que resultou na prisão de 25 suspeitos e na apreensão de armas, drogas e dinheiro em espécie. A ação teve como foco desmantelar a estrutura logística e financeira do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que domina parte do Complexo da Maré, na Zona Norte da capital. A operação conclui meses de investigações realizadas pela 21ª Delegacia de Bonsucesso, visando enfraquecer o controle do grupo na região.
Durante as diligências, os policiais also localizaram e recuperaram 49 veículos roubados, incluindo carros e motos. Também foram encontradas três estufas climatizadas com cerca de 300 mudas de maconha. As investigações revelaram que a organização atuava além do tráfico de drogas, incluindo esquemas de roubo de cargas na Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela. Essas ações eram integradas a operações de lavagem de dinheiro, além de uma rede de receptação de celulares roubados. A polícia identificou ainda ligações do TCP com crimes de pornografia infantil, violência doméstica e outros delitos patrimoniais.
Outra descoberta importante aponta que a facção exerce controle sobre os serviços essenciais nas comunidades sob sua influência, monopolizando atividades como venda de gás, fornecimento de água e acesso à internet. Além disso, o uso de bailes funks na Vila do João foi investigado como estratégia para movimentação de dinheiro, venda de produtos ilícitos, fortalecimento da liderança e escoamento de bens roubados. Os levantamentos indicam que criminosos armados participaram de eventos nesses espaços, inclusive com armas de grosso calibre.
Os policiais também descobriram que os roubos planejados eram coordenados por uma estrutura organizada, sob ordens diretas do responsável pelos roubos na facção. Os criminosos utilizavam motos, armas e metas de arrecadação de aparelhos desbloqueados, coagindo as vítimas a entregarem seus celulares. A avaliação dos aparelhos levava em conta se estavam desbloqueados, podendo chegar a até R$ 2,5 mil, ou bloqueados, avaliados entre R$ 300 e R$ 600.
Entre as operações financeiras, foi encontrada uma fazenda de criptomoedas utilizada pelo grupo para ocultar transações. Também foi desativada uma central de golpes telefônicos direcionados principalmente a idosos e pensionistas, além de um depósito clandestino com mercadorias roubadas, que abasteciam o comércio ilegal controlado pela facção. As buscas seguiram a um centro comercial mantido pela organização na comunidade, onde funcionava uma loja de telefonia com aparelhos roubados e pontos de venda de produtos contrabandeados, como cigarros eletrônicos e réplicas de marcas famosas.
Todo o material apreendido foi encaminhado à perícia e servirá para aprofundar as investigações. O objetivo das autoridades é eliminar as fontes de receita do grupo e interromper o fluxo de recursos que sustenta sua liderança na Zona Norte.
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