Uma operação interestadual resultou na prisão de um suspeito associado ao núcleo financeiro do Comando Vermelho no Piauí, durante uma ação coordenada no Rio de Janeiro. A ação, parte da 8ª fase de uma investigação que abrange os estados do Piauí, Ceará e Rio de Janeiro, busca desmantelar uma organização criminosa envolvida em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e ocultação de recursos.
A operação foi deflagrada após uma investigação iniciada em 2024, que identificou uma célula do grupo em Pedro II, no norte do região piauiense, com ligações na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, além de atividades no Ceará. Com o apoio de várias forças de segurança, foram cumpridos 68 mandados judiciais nos três estados.
Focada na estrutura financeira da organização, a ação resultou no bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 50 milhões. Segundo a polícia, essa medida visa enfraquecer a capacidade económica do grupo e impedir a continuidade de atividades ilícitas, especialmente relacionadas ao tráfico de drogas e extorsões.
Segundo as apurações, o grupo possui uma hierarquia bem organizada, liderada por um indivíduo conhecido como “Carioca” ou “Canindé”, que atua a partir do Rio de Janeiro. Na região de Pedro II, o comando local estaria sob a responsabilidade de A.I.N.S., enquanto D.U.N., apelidado de “Tapioca”, ocupava posição relevante no esquema. A.G.G.S., chamado “Negão” e natural do Ceará, teria funções de execução de crimes. Todos esses suspeitos estão detidos no sistema penitenciário do Piauí.
As investigações anteriores apontam para a autoria de 13 homicídios atribuídos ao grupo, incluindo o assassinato de uma adolescente de 14 anos e de um rapaz encontrado enterrado na zona rural de Pedro II. Um dos envolvidos confessou a prática de seis homicídios qualificados e uma tentativa, alegando que os crimes foram motivados por drogas, pagamento de aluguel e necessidades básicas.
Ainda na mesma operação, foi constatado o apoio logístico de um dos presos à fuga de dois detentos da Penitenciária Federal de Mossoró em 2024. A continuidade das investigações visa identificar novos suspeitos, ampliar a recuperação de ativos ilícitos e compreender melhor as conexões entre os diversos núcleos do grupo na região.
A realização da ação contou com a colaboração de diversas unidades das forças de segurança, incluindo o Departamento de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, a Delegacia Seccional de Pedro II, a Superintendência de Operações Integradas, a Polícia Militar, e outras delegacias regionais do Piauí. As investigações ainda estão em curso, prorrogando esforços para desarticular completamente a organização.
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