Seis organizações da sociedade civil encaminharam ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro um documento cobrando melhorias na comunicação com os eleitores afetados pelas mudanças nos locais de votação em 20 municípios do estado. O ofício destaca problemas enfrentados por cerca de 202 mil eleitores no primeiro turno, como a descoberta tardia da alteração de endereços e o aumento do tempo de espera nas novas seções, que chegou a três horas em alguns casos.
O grupo de entidades afirma que a falta de uma orientação clara e acessível pode facilitar a disseminação de informações equivocadas e favorecer práticas de controle ou coação eleitoral. Por isso, solicitam que o tribunal forneça informações diretas e precisas aos eleitores sobre os locais de votação, além de reavaliar a estrutura e a capacidade de atendimento das seções antes do segundo turno, marcado para o dia 25 de outubro.
Um exemplo do impacto dessas mudanças ocorre na região da Maré, na Zona Norte do Rio, onde mais da metade dos cerca de 60 mil eleitores foi transferida para seções diferentes desde 2024. Segundo levantamento da Redes da Maré, essa alteração resultou na elevação dos índices de abstenção na área, reforçando a preocupação quanto às dificuldades de deslocamento enfrentadas pelos votantes.
As transferências atingiram locais situados em regiões sob influência de grupos criminalizados, o que, segundo as organizações, reforça a necessidade de garantir segurança e acessibilidade às seções de votação. Entre os municípios com maiores índices de abstenção — São Gonçalo, Maré e Rocinha — os números ficam acima da média nacional, de 21%.
Entre as ações solicitadas ao TRE-RJ estão o envio de informações atualizadas por aplicativos de mensagens, e-mail e pelo documento eletrônico, garantindo que os eleitores tenham acesso aos seus novos locais de votação, inclusive no segundo turno. Também pedem a divulgação dos endereços antigos e novos em âmbito municipal e comunitário, com avisos físicos nos locais utilizados nas eleições anteriores. Além disso, recomendam o envolvimento de veículos de imprensa, rádios comunitárias e entidades locais na disseminação dessas informações para ampliar o alcance.
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