Uma mulher de 64 anos, que havia sido infectada pelo HIV após receber um órgão transplantado no Rio de Janeiro, faleceu no dia 18 de março. A informação foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, que destacou que a paciente fazia acompanhamento em uma unidade especializada havia um ano e cinco meses, com monitoramento contínuo por equipe multidisciplinar. A secretaria informou ainda que a mulher recebeu assistência integral e apoio psicológico à família após o falecimento.
De acordo com a secretaria, a vítima tinha sido indenizada pelo Governo do Rio de Janeiro em 2025, em um dos casos mais graves envolvendo o sistema estadual de transplantes. O episódio gerou grande repercussão devido aos danos causados aos pacientes e aos familiares, reforçando as discussões sobre falhas na fiscalização laboratorial.
O caso destaca uma contaminação por HIV em seis pessoas, todas elas pacientes que receberam órgãos do mesmo doador. Investigações apontam que duas dessas doações tiveram resultados falso-negativos em exames realizados em um laboratório privado, o PCS Lab Saleme, localizado na Baixada Fluminense. Esses exames indevidamente permitiram a liberação dos órgãos, que continham o vírus. Uma contraprova confirmou a presença do HIV no material do doador, levando ao rastreamento e à confirmação da infecção em todos os receptores. Como medida, o Ministério da Saúde ordenou a interdição cautelar do laboratório e determinou a reapreensão dos exames relacionados ao caso.
A investigação também resultou na denúncia de sócios e funcionários do laboratório por crimes relacionados às falhas nos testes. A Polícia Civil realizou operações de busca e apreensão nas instalações do estabelecimento e em locais vinculados aos suspeitos. Em 2025, o Ministério Público firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Estado do Rio de Janeiro, a Fundação Saúde e o laboratório, prevendo compensações financeiras às vítimas e acompanhamento médico, psicológico e social para os afetados.
O episódio abriu questionamentos sobre a segurança no sistema de transplantes e causou impacto emocional significativo, especialmente entre as famílias que aguardam a realização de transplantes com esperança de um procedimento seguro. Para o Ministério da Saúde, o ocorrido é considerado um caso isolado, sem registros semelhantes até o momento no país, e o Sistema Nacional de Transplantes continua operando, com mais de 9 mil procedimentos realizados em 2023. A pasta garante que ações corretivas estão sendo adotadas para evitar novas falhas dessa natureza.
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