março 11, 2026
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11/03/2026

Participação feminina na indústria do Rio de Janeiro aumenta 70% em cinco anos, mas ainda representa 22,3% do setor

Nos últimos cinco anos, a participação de mulheres na indústria do estado do Rio de Janeiro aumentou 70%, um crescimento mais expressivo do que o verificado entre os homens, que foi de 34%. Apesar de esse avanço representar a maior presença feminina já registrada no setor, a proporção de trabalhadores do sexo feminino permanece abaixo de outros segmentos econômicos, atingindo 22,3% em 2025.

Apesar do crescimento na participação feminina entre 2020 e 2025, o período de uma década revela um aumento de apenas 3,3% na força de trabalho feminina na indústria. Em 2024, a presença de mulheres na força de trabalho do setor permanece em 21,6%, um índice similar ao de 2018, indicando que o universo industrial ainda é predominantemente masculino.

Esses dados foram divulgados pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), com base na “Pesquisa Firjan de Diversidade, Equidade e Inclusão na Indústria Fluminense”, que envolveu levantamento junto a 130 empresas locais e informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

Conforme o estudo, as mulheres representam a maior parte apenas em dois segmentos industriais: vestuário e acessórios (66,9%) e artefatos de couro, artigos de viagem e calçados (58,8%). Em geral, a presença feminina no restante da indústria estadual é bastante reduzida. O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, destacou que as mulheres representam somente 22,3% da força de trabalho, enquanto os homens correspondem a 77,7%, o que coloca o setor como um dos mais desigualdades de gênero no estado. O dirigente também ressaltou os esforços para identificar desigualdades existentes e orientar políticas de inclusão que fortaleçam a competitividade, inovação e representatividade no setor industrial.

De acordo com o levantamento, a baixa participação feminina reflete barreiras culturais e estruturais, especialmente em áreas como cadeias de base, energia, bens duráveis e infraestrutura. Carla Pinheiro, empresária do ramo de joias e presidente do Conselho Empresarial de Mulheres da Firjan, ressaltou que iniciativas públicas e privadas de incentivo à inclusão são fundamentais para promover maior equidade na indústria.

Entre os exemplos de boas práticas citados, destacam-se programas de qualificação profissional e ações de inclusão. Um deles é o projeto Autonomia e Renda, apoiado pela Petrobras, que busca promover autonomia econômica entre grupos minoritários. A Enel Distribuição Rio criou a Escola de Mulheres Eletricistas, formando 46 profissionais até 2025, com uma alta taxa de contratação direta pelo próprio setor. Ainda, a Firjan IEL, em parceria com a Cedae, desenvolveu a iniciativa Gestão e Governança Corporativa Feminina, voltada a fortalecer lideranças femininas e promover diversidade nas empresas.

Outras ações incluem cursos gratuitos de instalação hidráulica, oferecidos pela Iguá na zona oeste da capital, e o projeto Elas Transformam, realizado em parceria com a Iconic, para capacitar operadoras de processos petroquímicos na Baixada Fluminense. O setor industrial permanece em processo de transformação, com esforços contínuos para ampliar a participação feminina e promover a inclusão.


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