Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Civil lançou uma grande operação voltada a desmantelar o sistema financeiro do Comando Vermelho. A ação visa interceptar atividades financeiras vinculadas ao líder da facção, Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, considerado uma das principais figuras no esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao tráfico no Rio de Janeiro. Até o momento, 14 suspeitos foram detidos, incluindo a esposa do investigado.
A operação, denominada “Contenção”, ocorreu simultaneamente em diversos municípios do estado, como São Gonçalo, Itaboraí, Duque de Caxias, São João de Meriti, Búzios e Iguaba Grande, além da capital. Também houve cumprimento de mandados em outros estados, incluindo São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão. Os policiais atuaram em diferentes localizações para cumprir ordens judiciais visando o bloqueio de bens e a prisão de suspeitos ligados ao esquema.
Segundo informações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP), Rabicó teria exercido o papel de principal responsável pelos recursos financeiros do grupo criminoso, atuando como um “tesoureiro” da facção. As investigações indicam que ele controlava empresas de fachada, movimentava recursos bancários e utilizava terceiros para esconder bens materiais e valores provenientes do tráfico, especialmente derivados do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.
O estudo aprofundado das atividades ilegais durou mais de um ano e revelou uma estrutura complexa de lavagem de dinheiro. Os criminosos utilizavam empresas do setor de reciclagem e ferros-velhos para mascarar a origem ilícita dos recursos. Essas empresas eram empregadas para dar aparência de legalidade às movimentações financeiras, que envolviam depósitos fracionados, emissão de notas fiscais falsas e operações em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento.
As investigações apontaram ainda que empresas de sucata transferiam milionárias quantias de dinheiro para contas controladas pelo líder e seus associados. Foram encontrados indícios de receptação de materiais suspeitos e de locais utilizados para a queima clandestina de cabos de cobre, como parte do esquema de lavagem.
A intervenção policial recebeu autorização judicial após denúncia do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Participaram da operação agentes da Polícia Civil, do Core, do Bope e de diversas unidades especializadas. O objetivo principal é enfraquecer o poder econômico do Comando Vermelho e desmantelar a estrutura financeira que sustenta o tráfico de drogas na região.
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