agosto 10, 2026
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10/08/2026

Polícia Civil registrou mais de 782 mil atendimentos a mulheres em 2025

As unidades da Polícia Civil especializadas no atendimento a mulheres realizaram 782.474 atendimentos em todo o Brasil ao longo de 2025. Os registros envolveram diferentes tipos de violência, entre eles ameaça, lesão corporal, injúria, importunação sexual, estupro e feminicídio.

Ao todo, 329.451 mulheres foram atendidas pelas estruturas especializadas. A diferença entre o número de vítimas e o total de atendimentos indica que uma mesma mulher pode ter procurado o serviço policial mais de uma vez durante o período analisado.

Os dados fazem parte do 10º Diagnóstico Nacional das Unidades de Polícia Civil Especializadas no Atendimento às Mulheres, divulgado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) na sexta-feira (7).

O levantamento, publicado no período em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, reuniu informações de 530 das 585 unidades especializadas existentes no país, incluindo Delegacias Especializadas no Atendimento às Mulheres (Deams) e outras estruturas voltadas ao acolhimento desse público.

SUDESTE CONCENTRA QUASE METADE DAS VÍTIMAS

A Região Sudeste liderou o número de mulheres atendidas, com 125.769 vítimas, correspondentes a 47,8% do total contabilizado nacionalmente.

O Nordeste aparece na sequência, com 53.067 vítimas, equivalente a 20,2%. O Centro-Oeste registrou 43.662 casos, ou 16,6%, enquanto a Região Sul contabilizou 21.087 vítimas, representando 8% do total. No Norte, foram registrados 19.712 atendimentos de vítimas, correspondentes a 7,5%.

Entre os estados, São Paulo apresentou o maior número absoluto, com 84.103 mulheres atendidas pelas unidades especializadas.

AMEAÇA FOI A OCORRÊNCIA MAIS REGISTRADA

A ameaça aparece como o tipo de ocorrência mais frequente nas unidades especializadas em 2025, com 148.544 registros.

Na sequência estão os casos de lesão corporal, que somaram 99.473 ocorrências, e os registros de injúria, com 88.739.

O diagnóstico também identificou crescimento expressivo em determinados tipos de violência na comparação com o levantamento anterior, cujo ano-base foi 2023.

Os casos de perseguição chegaram a 52.855, aumento de 44,3%. Já os registros de violência psicológica alcançaram 23.911 ocorrências, crescimento de 49,7% no período comparado.

MAIS DE 300 MIL MEDIDAS PROTETIVAS FORAM SOLICITADAS

Os atendimentos realizados pelas unidades especializadas resultaram ainda em 302.626 pedidos de medidas protetivas de urgência.

Segundo o levantamento, 118.672 medidas foram concedidas. O estudo também contabilizou 38.214 casos de descumprimento das determinações impostas aos agressores.

As medidas protetivas fazem parte dos mecanismos previstos pela legislação para reduzir riscos e preservar a integridade de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.

PRIMEIRA DELEGACIA ESPECIALIZADA FOI CRIADA EM 1985

A estrutura policial voltada especificamente ao atendimento de mulheres começou a ser implantada no Brasil em 1985, quando foi inaugurada a primeira Delegacia Especializada no Atendimento às Mulheres, na região central da cidade de São Paulo.

Ainda naquele ano, outras 19 unidades começaram a funcionar no país. Nas décadas seguintes, a rede continuou sendo ampliada até chegar às atuais 585 unidades.

Atualmente, aproximadamente 6.200 profissionais trabalham nessas estruturas, entre delegados, agentes, escrivães, psicólogos e assistentes sociais. As equipes seguem protocolos específicos para acolhimento, orientação e escuta das vítimas.

80% DAS UNIDADES NÃO FUNCIONAM 24 HORAS

Apesar da ampliação da rede, o diagnóstico aponta deficiências estruturais que ainda afetam o atendimento especializado.

Segundo o estudo, 80% das unidades pesquisadas não funcionam durante 24 horas por dia.

A falta de recursos adequados para investigação foi mencionada por 57% das unidades. A insuficiência de viaturas aparece em 46% das respostas, enquanto 40% apontaram carência de materiais e equipamentos de menor potencial ofensivo.

Os números evidenciam que, embora a rede especializada tenha avançado desde a criação da primeira delegacia há mais de quatro décadas, ainda existem desafios relacionados à estrutura, capacidade de investigação e disponibilidade permanente de atendimento às mulheres.

 

Imagem ilustrativa gerada por IA.

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