junho 2, 2026
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02/06/2026

Polícia do Rio combate esquema de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico do Comando Vermelho

A Polícia Civil do Rio de Janeiro conduziu nesta terça-feira uma operação para desmantelar uma rede interestadual de lavagem de dinheiro vinculada ao tráfico de drogas operado pela facção Comando Vermelho. Até o momento, duas pessoas foram detidas, e as forças de segurança apreenderam uma arma de fogo, além de celulares e computadores.

A ação incluiu o cumprimento de 18 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. No território fluminense, as operações ocorreram em Cabo Frio, na Região dos Lagos, e no bairro do Jacaré, na Zona Norte do Rio.

As investigações indicam que o esquema financeiro movimentou mais de R$ 116 milhões entre 2017 e 2025. Os criminosos teriam utilizado contas bancárias de terceiros e empresas fictícias para ocultar a origem ilícita dos recursos gerados pelo tráfico de drogas.

A apuração começou após uma operação realizada em julho de 2020 na Comunidade do Tatão, em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, foram apreendidos entorpecentes, rádios comunicadores e documentos bancários que permitiram compreender melhor a estrutura financeira do grupo criminoso.

De acordo com os investigadores, os lucros decorrentes da venda de drogas eram depositados de forma parcelada em agências próximas a áreas sob controle da facção, como o Complexo do Chapadão. Essa prática, conhecida como “smurfing”, visa dificultar o monitoramento por órgãos de fiscalização.

As apurações também mostram que os valores eram transferidos para contas de pessoas usadas como “laranjas”. Esses recursos eram posteriormente integrados ao sistema financeiro por meio de diversas transações, configurando um esquema de lavagem de dinheiro.

Relatórios de inteligência financeira revelaram que uma parte considerável do dinheiro era concentrada em Sete Quedas, município de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai, considerado ponto estratégico para o tráfico internacional de drogas e armas.

Segundo o Ministério Público, o fluxo de recursos acompanha a rota do tráfico: os carregamentos entram no Brasil pela fronteira paraguaia, passam por Mato Grosso do Sul e têm como destino principal o estado do Rio de Janeiro.

A operação, denominada Riqueza Sombria, visa identificar todos os integrantes da organização criminosa, ampliar o rastreamento do dinheiro movimentado e responsabilizar os envolvidos criminalmente.


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