A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou nesta quarta-feira uma operação contra uma suposta organização responsável pela prática conhecida como “Máfia da Farinha”. A ação visa desarticular um esquema liderado por traficantes e milicianos, que teria forçado comerciantes a adquirir sacas de farinha apenas de fornecedores controlados pelos criminosos, sob risco de violência. Segundo as investigações, essa conduta eleva o custo do pão em várias comunidades da cidade.
A operação, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE), levou ao cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão em localidades das zonas Oeste e Norte do Rio de Janeiro. Entre os locais vistoriados está um galpão em Campo Grande, onde foram apreendidas grandes quantidades de farinha armazenada.
De acordo com a polícia, o esquema afeta principalmente pequenos e médios comerciantes, especialmente na Baixada Fluminense e na Zona Oeste. Os envolvidos relataram que eram frequentemente ameaçados e coagidos, enfrentando o risco de represálias, prejuízos e fechamento de seus estabelecimentos. Além disso, eram obrigados a comprar volumes superiores ao necessário e a preços superiores aos praticados no mercado, muitas vezes recebendo mercadorias vencidas ou em condições inadequadas.
As investigações indicam que o grupo criminoso também estaria atuando em outros setores, como a venda de carvão e hortifrutigranjeiros, buscando estabelecer monopólios em diferentes pontos da cadeia de abastecimento. A organização utilizava uma fachada empresarial para legalizar suas operações, facilitando a circulação de mercadorias e movimentações financeiras ilícitas.
Segundo apuração, essa atuação faz parte de uma estratégia mais ampla de controle territorial por parte de milícias e grupos armados, que ampliam sua influência através do domínio de atividades comerciais formais. A operação buscou apreender documentos, registros financeiros e equipamentos eletrônicos que possam contribuir para esclarecer o funcionamento do esquema.
As diligências continuam, com o objetivo de identificar todos os envolvidos, mapear o fluxo financeiro e verificar possíveis conexões com outros crimes, fortalecendo assim o combate às organizações criminosas na região.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



