março 13, 2026
março 13, 2026
13/03/2026

Polícia do RJ revela esquema de lavagem de dinheiro envolvendo vereador Salvino Oliveira

A Polícia Civil do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira, 13 de março, a prisão temporária do vereador Salvino Oliveira em decorrência da Operação Contenção Red Legacy. A investigação, iniciada em 2024, apura supostas atividades ilícitas envolvendo empresas de internet operando na zona da Penha, controladas de fato por Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, ligado ao Comando Vermelho.

Segundo a corporação, análises de dados digitais indicaram diálogos entre Doca e o “síndico do Gardênia”, apontado como relacionado à facção criminosa. Essas conversas também envolveriam o vereador e outros indivíduos alvo da operação, constituindo elementos essenciais ao inquérito. A polícia reforça que há material adicional além das mensagens já divulgadas, incluindo investigações financeiras detalhadas.

A nota oficial informa que transações bancárias suspeitas, identificadas por meio de inteligência financeira, apontam recebimentos superiores a R$ 100 mil pelo parlamentar em período de quatro meses. Entre essas movimentações, estão 11 depósitos em dinheiro vivo, sem explicação justificável para a origem do montante.

O foco da investigação se estende ao círculo familiar do vereador. A polícia identificou que empresas ligadas ao principal assessor de Salvino têm desempenhado papel relevante nas apurações. Além disso, a esposa do assessor é apontada como possível centro de uma rede de lavagem de dinheiro. Nos últimos sete meses, ela realizou mais de 20 saques em espécie, totalizando cerca de R$ 2,49 milhões, alguns de valores aproximados a R$ 100 mil, fracionados para evitar controles bancários automáticos.

Outro ponto destacado é a movimentação de uma das empresas em nome dela, que teria movimentado mais de R$ 35 milhões em pouco mais de dois anos, apesar de declarar um faturamento de aproximadamente R$ 2 milhões no mesmo período. Parte desse montante, cerca de R$ 300 mil, teria origem em uma fintech suspeita de ligação com o PMDB, considerado por policiais um elemento de investigação em possíveis conexões mais amplas com organizações criminosas.

A ação policial também aponta tentativa de obstrução aos mecanismos de controle financeiro, exemplificada por saques de valores próximos a R$ 50 mil, abaixo do limite de comunicação obrigatória às autoridades. Pedidos de prisão temporária foram fundamentados na necessidade de preservar provas e evitar interferências na investigação, além de proteger dados sigilosos, conforme justificativa técnica apresentada ao Judiciário, apoiada pelo Ministério Público.

Segundo a corporação, os indícios já considerados suficientes para a decretação da prisão foram corroborados pela análise de dados digitais, levando em conta uma estrutura que, ao que tudo indica, estaria vinculada ao cartel do Comando Vermelho, organizado com características de conselho e atuação em diversas regiões do país, com possíveis cooperações envolvendo também o PCC.


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