Na segunda-feira, a Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que ainda não recebeu as imagens das câmeras corporais utilizadas pela Polícia Militar durante a operação Contenção, ocorrida no Rio de Janeiro no ano passado. A operação resultou em mais de 120 mortes, sendo uma das mais letais da história do estado.
A solicitação para análise do material audiovisuais foi determinada em março pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele ordenou que as forças policiais enviassem as gravações à PF para perícia, após o alto número de vítimas. Até o momento, apenas o acervo enviado pela Polícia Civil foi encaminhado para análise. A PF destacou que não recebeu registros das câmeras da Polícia Militar, que contou com um efetivo maior e mais dispositivos de gravação corporal durante a operação.
O diretor-geral da Polícia Federal solicitou um prazo adicional para concluir a perícia. Segundo ele, a análise das aproximadamente 400 horas de gravações da Polícia Civil demandará pelo menos 90 dias. Apesar de uma equipe de dez peritos criminais estar mobilizada para o exame, a PF indicou que não é possível atender ao prazo de 15 dias estipulado anteriormente pelo STF, levando em conta as condições técnicas atuais.
A investigação está ligada à ação de referência na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 635, que busca estabelecer medidas para reduzir a letalidade de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro. A operação Contenção envolveu cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, que atacaram pontos estratégicos ligados à facção criminosa Comando Vermelho nos bairros do Alemão e da Penha, na zona norte da capital fluminense. A ação foi marcada por intensos tiroteios e deixou 121 mortos, sendo quatro policiais.
Relatos de moradores indicam que vários corpos foram encontrados na mata, muitos com sinais de terem se rendido, como mãos e pernas amarradas, além de sinais de execução e tortura. O governador do Rio, Cláudio Castro, afirmou que todos os indivíduos que entregaram foram presos e declarou a operação como “um sucesso”. A Polícia Civil defende a versão de que não houve mortes entre pessoas que se renderam. Reconhecidamente, essa foi a operação mais letal na história do estado, levando a questionamentos sobre a abordagem policial e violações de direitos humanos.
A comunidade internacional, por sua vez, manifestou-se favorável a uma investigação independente para garantir a responsabilização pelos fatos e proteger os direitos de testemunhas, famílias das vítimas e defensores de direitos humanos, reforçando a necessidade de transparência na apuração dos acontecimentos.
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