agosto 25, 2026
agosto 25, 2026
25/08/2026

Polícia Federal apura uso de imóveis por ex-governador do Rio em esquema ligado a contratos estaduais

A Polícia Federal investiga possíveis concessões indevidas de imóveis usados pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no âmbito de um suposto esquema envolvendo contratos com o governo estadual. Entre os imóveis sob averiguação está uma propriedade de alto padrão localizada em Petrópolis, registrada em nome de uma mulher que é sócia de um empresário relacionado à construtora Engeprat Engenharia e Serviços. A empresa mantém contratos com o executivo estadual que totalizam mais de R$ 350 milhões, incluindo valores sem procedimento de licitação.

Nesta sexta-feira (14/08), a residência em Petrópolis foi alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Sem Refino. Situada em um condomínio fechado na região da Fazenda Inglesa, o imóvel, avaliado em mais de R$ 2 milhões, foi frequentado por Castro, inclusive nos finais de semana. A investigação busca determinar se houve participação do ex-governador em reformas, como a instalação de uma adega, e se o uso da residência teria alguma relação com os contratos envolvendo a construtora.

Outro imóvel sob análise é a cobertura na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, onde Castro reside com sua família. A polícia também investiga uma possível conexão do uso do apartamento com benefícios concedidos à empresa de um ex-policial federal e ex-secretário estadual de Transformação Digital, José Mauro de Farias Júnior. Nesse contexto, a investigação busca entender se o relacionamento com o ex-governador influenciou favorecimentos a interesses privados.

A segunda fase da operação também examinou possíveis favorecimentos à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, por agentes públicos. Para subsidiar as investigações, as autoridades analisaram o celular de Castro, apreendido anteriormente. Os esforços visam apurar se o ex-governador exerceu alguma influência na obtenção de licenças ambientais ou facilitou ações que beneficiaram a refinaria, oriundas de contatos com integrantes do governo estadual, incluindo o então secretário de Meio Ambiente, Bernardo Rossi, e o ex-presidente do Inea, Renato Bussière.

Em nota, a defesa de Castro negou qualquer participação do ex-governador em irregularidades envolvendo a Refit. Além disso, informou que o imóvel de Petrópolis não estaria associado a Castro há meses e que aguarda o acesso integral das provas para se manifestar. Rossi também afirmou atuar dentro da legalidade durante seu período na pasta ambiental e confiou na justiça para esclarecer as questões.


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