maio 26, 2026
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26/05/2026

Polícia Federal realiza nova operação contra Cláudio Castro por suspeitas de irregularidades em fundos estaduais

Na manhã desta terça-feira, a Polícia Federal realizou uma nova operação contra o ex-governador Cláudio Castro, na qual cumpriu mandados de busca e apreensão em seu apartamento na Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro. A ação ocorre menos de duas semanas após uma investigação que resultou na realização de buscas na residência do político na Operação Sem Refino.

A operação atual é uma etapa de apuração sobre investimentos do governo estadual em fundos vinculados ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Ainda segundo as investigações, quase R$ 3 bilhões teriam sido transferidos pelo governo do Rio de Janeiro para instituições relacionadas ao banco, principalmente por meio da Rioprevidência, responsável pelos pagamentos de aposentados e pensionistas estaduais, e da companhia estadual de água, Cedae.

A ação desta terça-feira é um desdobramento de investigações anteriores, incluindo a Operação Barco de Papel, deflagrada em janeiro, que resultou na prisão de Deivis Marcon Antunes, ex-presidente da Rioprevidência. Naquela ocasião, o foco era em investimentos considerados de risco, realizados entre outubro de 2023 e julho de 2024, no valor de cerca de R$ 970 milhões.

Agora, as investigações ampliaram o escopo para aplicações a partir de julho de 2024, totalizando aproximadamente R$ 2,01 bilhões, também em fundos do Banco Master. Assim, os valores sob suspeita ultrapassam a marca de R$ 3 bilhões. A apuração revela que esses aportes podem ter sido realizados sem a devida aprovação do comitê de investimentos do fundo estadual, além de terem sido considerados de risco pelo Tribunal de Contas do Estado, sem garantias ou critérios de segurança adequados.

A operação está vinculada à investigação denominada Compliance Zero, que anteriormente levou à prisão de Vorcaro, proprietário do Banco Master, dissolvido pelo Banco Central por indícios de fraude. Além do apartamento de Castro, equipes da PF vasculham outros nove endereços no Rio de Janeiro e Brasília.

No mês passado, Cláudio Castro foi alvo de busca em outra operação, relacionada à investigação sobre supostas fraudes fiscais e ocultação de patrimônio vinculada à refinaria Refit. Essa fase contou com 16 mandados de busca, além de um bloqueio de R$ 52 bilhões de ativos de suspeitos. Entre os investigados estavam o empresário Ricardo Magro, ex-secretário de Fazenda Juliano Pasqual, ex-procurador Renan Saad e um desembargador afastado, todos associados às suspeitas de esquema irregular.

As investigações indicam que o grupo utilizado de estruturas societárias complexas para ocultar recursos no exterior e proteger patrimônios frente às fiscalizações. Há também conexões com ações no Supremo Tribunal Federal relacionadas à atuação policial e ao avanço do crime organizado no Rio de Janeiro.

Cláudio Castro, que deixou o cargo de governador em março, vaga atualmente uma candidatura ao Senado nas próximas eleições, apesar de estar inelegível por decisão do TSE. A continuidade das apurações pode resultar em novos desdobramentos nos processos em curso.


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