A Polícia Federal deflagrou uma operação contra uma facção criminosa responsável pelo controle ilegal de serviços de internet em diversas regiões do Rio de Janeiro, incluindo Maricá. A ação, denominada Operação Backbone, visa desarticular o grupo suspeito de exercer monopólio no setor, por meio de ameaças, violência e extorsões.
A operação envolve o cumprimento de 23 mandados de prisão preventiva e 24 de buscas e apreensões, distribuídos por municípios como Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Magé e também Maricá. Todas as ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal.
Além das ações policiais, a iniciativa busca desestabilizar a estrutura financeira do grupo criminoso, com o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões. Quarenta pessoas físicas e 42 empresas estão incluídas na medida, que também prevê a suspensão das atividades econômicas relacionadas às organizações investigadas.
Segundo informações da Polícia Federal, integrantes da facção utilizam armas e praticam ameaças para impedir a atuação de provedores concorrentes. Entre as ações ilícitas observadas estão o corte de cabos e a queima de equipamentos, dificultando reparos e afetando o funcionamento dos serviços de internet.
Com o enfraquecimento da concorrência, os criminosos pressionam moradores e comerciantes a contratar provedores controlados por eles. Empresas autorizadas a operar na região também seriam obrigadas a pagar taxas mensais à facção, fortalecendo o monopólio ilegal.
A investigação também aponta para um possível esquema de lavagem de dinheiro. Os recursos obtidos ilegalmente seriam movimentados por meio de diversas empresas, negócios de publicidade, produção de eventos, imóveis e criptoativos, com a intenção de ocultar a origem dos valores.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será informada sobre as medidas cabíveis, que podem incluir a cassação de autorizações de operação de serviços de telecomunicações às empresas envolvidas.
A Polícia Federal informou que ações serão tomadas para garantir a continuidade dos serviços de internet nas áreas afetadas, de modo a evitar prejuízos aos consumidores. Até o momento, não há detalhes específicos sobre os mandados cumpridos em Maricá ou a participação de indivíduos ou empresas locais na investigação.
Os investigados poderão responder por crimes como extorsão, lavagem de dinheiro, interrupção de serviços de telecomunicações e domínio social estruturado, entre outros. As ações penais dependerão do andamento do procedimento investigatório.
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