agosto 14, 2026
agosto 14, 2026
14/08/2026

Polícia Federal realiza segunda fase da Operação Sem Refino contra irregularidades na refinaria Refit

A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira (14/08) a segunda etapa da Operação Sem Refino, investigação que apura irregularidades na gestão da refinaria Refit e possíveis conexões com a concessão de licenças ambientais no estado do Rio de Janeiro. A ação inclui o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Entre os alvos estão o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, e o ex-secretário estadual de Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi.

As diligências ocorreram em locais ligados a Castro, em Petrópolis, na Região Serrana, e em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. As buscas visam coletar evidências relacionadas às suspeitas de fraude na concessão de licenças ambientais à refinaria, que, segundo as investigações, teriam sido emitidas sem a adequada avaliação técnica. Além disso, a investigação aponta possíveis crimes de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e irregularidades na comercialização de combustíveis.

Bernardo Rossi assumiu a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade em março de 2024, após a exoneração de Thiago Pampolha, então vice-governador. Rossi, apontado como aliado próximo a Castro, negou qualquer irregularidade na sua gestão. A investigação também avalia a renovação de uma licença de funcionamento da Refit, concedida após alterações na estrutura do órgão ambiental do estado, ocorridas após o rompimento político entre Castro e Pampolha.

O advogado de Cláudio Castro, Carlo Luchione, afirmou que ainda não tinha conhecimento de buscas relacionadas a um endereço vinculado ao ex-governador. Castro já havia sido alvo na primeira fase da operação, realizada em maio, que também investigou o empresário Ricardo Magro, ligado à Refit. Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de cerca de R$ 52 bilhões em ativos financeiros e suspendeu as atividades das empresas envolvidas. A Polícia Federal também apontou suspeitas de favorecimento do grupo por parte do governo estadual, incluindo uma legislação assinada por Castro em 2025, que criou um programa de parcelamento de créditos tributários, conhecido informalmente como “Lei Ricardo Magro”, sob a alegação de beneficiar a empresa.

A Refit negou irregularidades na sua atuação e afirmou que as ações contra o grupo poderiam prejudicar a concorrência no setor de combustíveis, além de colocar em risco a atuação de um possível cartel. A operação está vinculada à chamada ADPF das Favelas, investigação que envolve a atuação de organizações criminosas e suas ligações com agentes públicos no Rio de Janeiro.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad