Autoridades de segurança no Rio de Janeiro identificaram o uso de drones de grande porte pelos traficantes do Complexo do Alemão, na Zona Norte, controlados pelo grupo criminoso Comando Vermelho. Os dispositivos estão sendo utilizados para o transporte clandestino de armas e drogas entre diferentes comunidades sob o domínio da facção.
As aeronaves, cada uma capable de carregar até 80 quilos — volume suficiente para transportar aproximadamente 20 rifles tipo FAL ou AR-15 —, podem percorrer até 12 quilômetros sem precisar fazer paradas. Essa capacidade aumenta a eficiência e o alcance das operações ilícitas, facilitando o deslocamento de cargas entre áreas controladas pelo grupo.
Imagens captadas por uma aeronave da Polícia Militar mostram um treinamento envolvendo um dos drones. A filmagem revela o aparelho, com aproximadamente três metros de comprimento, cercado por um grupo de pelo menos dez pessoas pouco antes de decolar de uma região com poucas residências próximas. Ainda sem data específica divulgada, o incidente evidencia o modo de operação do crime organizado na região.
Os modelos utilizados pelos traficantes foram originalmente desenvolvidos para atividades agrícolas ou de transporte de cargas, com custo estimado acima de R$ 200 mil cada. A investigação aponta que a autonomia desses drones facilita o acesso a diversas comunidades, incluindo locais como Cidade de Deus, Jacarezinho, Lins e Chapadão, criando rotas de tráfico de armas e drogas.
Além do transporte entre comunidades próximas, os dispositivos também podem ligar áreas mais distantes, como Gardênia Azul, em Jacarepaguá, e Muzema, no Itanhangá. Essas rotas estratégicas são utilizadas por traficantes na tentativa de invadir a comunidade de Rio das Pedras, considerada um núcleo de ações de milícias.
O governo estadual reforçou o compromisso de impedir a utilização dessas novas tecnologias pelo crime organizado para ampliar o fluxo ilegal de armas e drogas. As operações de treinamento com drones acontecem em uma área do Complexo do Alemão próxima ao Complexo da Penha, região que abriga integrantes foragidos do Comando Vermelho de alta hierarquia, incluindo nomes procurados pelo Ministério Público e pela Justiça.
Até o momento, a Justiça mantém 82 mandados de prisão ativos relacionados ao grupo, reforçando o esforço das forças de segurança no combate ao crime na região. As investigações continuam, visando desarticular as operações de transporte clandestino e localizar os responsáveis pelos treinamentos.
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