Nesta quinta-feira, a Polícia Civil iniciou a Operação Lázaro, destinada a apurar possíveis fraudes relacionadas à reativação de um banco que encerrou suas atividades há mais de seis décadas. A investigação busca esclarecer se a reativação do Banco de Crédito Móvel S.A., registrada em 2024, foi utilizada para reivindicar direitos relativos a um crédito que ultrapassa R$ 1 bilhão.
A ação policial resultou na realização de doze mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nos bairros do Recreio dos Bandeirantes, Barra da Tijuca, Gávea, Tijuca, Copacabana, Glória e Botafogo. Durante as diligências, os agentes coletaram celulares, documentos e demais materiais que possam contribuir para o entendimento do processo de reativação do banco na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja). A investigação aponta que, apesar do encerramento oficial ocorrido em 1964, o banco teria sido reativado de forma irregular e sem respaldo legal, o que levanta dúvidas sobre a validade do procedimento.
Entre os indivíduos e entidades envolvidos nas buscas estão acionistas ligados ao banco e representantes da Jucerja, incluindo o vice-presidente da autarquia, Affonso D’Anzicourt Silva, o secretário-geral, Gabriel Oliveira de Souza Voi, e o ex-presidente Sergio Tavares Romay. A polícia trabalha com a hipótese de que a reativação teria sido realizada mesmo diante de decisões judiciais contrárias e de orientações já estabelecidas pela Procuradoria Regional.
Segundo as informações apuradas, o Banco de Crédito Móvel deu entrada na sua liquidação em 1964, procedimento do qual os acionistas menores teriam recebido seus valores, enquanto os acionistas majoritários dividiram os bens remanescentes do acervo. Os investigadores ainda questionam como, décadas após esse processo, a entidade foi reestabelecida oficialmente, levantando suspeitas de irregularidades.
A linha principal das investigações é compreender como pessoas declaradas como acionistas conseguiram registrar novamente o banco na Jucerja, contrariando pareceres judiciais e orientações da própria autarquia. Há a suspeita de que a reativação tenha sido uma estratégia para reivindicar um crédito milionário relacionado à desapropriação de uma área de cerca de 153 mil metros quadrados no Recreio dos Bandeirantes. A operação também apura possíveis invasões de terrenos, fraudes imobiliárias e construções irregulares ligados ao caso.
Todo o material apreendido será submetido a análises periciais, com o objetivo de esclarecer os fatos e avançar na investigação sobre a possível tentativa de fraude e irregularidades na reativação do banco.
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