O deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) foi detido nesta quinta-feira (15/10) durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. A prisão ocorreu em Niterói, na residência do ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Vinícius Amim. As ações fazem parte de uma investigação que apura a participação de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro através de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e envolveu o cumprimento de seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses, entre eles Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Búzios. De acordo com o relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo investigado movimentou mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos, indicando fortes indícios de lavagem de dinheiro.
A investigação busca identificar o envolvimento de agentes públicos e políticos em esquemas de ocultação de recursos de origem ilícita. Tanto Canella quanto Amim já haviam sido alvo de operações anteriores, com Canella sendo preso em julho por porte de arma de fogo durante buscas, mas tendo a liberdade provisória concedida dias depois. Na ocasião, a defesa do político afirmou que o fuzil encontrado tinha origem policial.
Apesar das detenções anteriores, Canella conseguiu se eleger deputado estadual nas eleições de outubro, tornando-se o segundo mais votado do estado, com 197.178 votos, e deve assumir seu mandato em fevereiro de 2027. O político chegou a ser pré-candidato ao Senado, mas desistiu da candidatura após as ações de julho. Sua candidatura à Alerj foi validada pelo TRE-RJ, que rejeitou questionamentos a seu registro.
Marcus Vinícius Amim, ex-comandante da Polícia Civil durante o governo de Cláudio Castro, também foi preso na manhã desta quinta-feira. Sua nomeação ocorreu após uma alteração na legislação estadual que permitiu sua nomeação com menos de 15 anos de carreira na corporação. Amim já havia sido alvo de busca em julho na sexta fase da operação e agora foi detido em sua residência em Niterói.
A investigação tem como base um relatório do Coaf que identificou movimentações financeiras superiores a R$ 7,6 bilhões envolvendo empresas do setor de combustíveis. A Polícia Federal suspeita que esses negócios tenham sido utilizados para movimentar e ocultar recursos ilícitos, com possível participação de agentes públicos. As ações recentes incluiram apreensões de dinheiro, armas, veículos, equipamentos eletrônicos e documentos, além de bloqueio de bens e suspensão de atividades comerciais relacionadas ao esquema.
Desde o início, a Operação Unha e Carne visa desarticular uma rede criminosa que teria vínculos com políticos, policiais, membros do Judiciário e empresários envolvidos com o crime organizado no Rio de Janeiro. Até o momento, não houve manifestações oficiais por parte dos suspeitos presos.
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