março 14, 2026
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14/03/2026

Prédio do INSS no Centro do Rio pode virar moradia popular após proposta do MPF

Um prédio do INSS no Centro do Rio, abandonado há mais de 30 anos, pode ser convertido em moradia social após uma proposta de acordo apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) à Justiça Federal. Atualmente, o imóvel é ocupado por famílias em situação de vulnerabilidade social, que podem permanecer na propriedade caso o entendimento seja homologado.

A ocupação é composta por 115 pessoas, incluindo 36 crianças, adolescentes e 14 idosos. O MPF argumenta que garantir a permanência dessas famílias é fundamental para assegurar direitos básicos como moradia, acesso à educação e ao trabalho. Muitos moradores atuam de forma informal na região e têm filhos matriculados em escolas próximas, reforçando a necessidade de manter as famílias na área.

Segundo o órgão, a manutenção dessas famílias no local atende ao princípio da função social da propriedade, que é ignorado pelo fato de o prédio permanecer sem uso por décadas, apesar de pertencente ao INSS. A proposta visa também resolver a disputa judicial relacionada à posse do imóvel.

A sugestão de acordo teve origem em uma reunião de mediação realizada em fevereiro de 2026, envolvendo representantes de órgãos federais e da sociedade civil. Participaram do encontro o INSS, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério das Cidades, além de moradores e organizações sociais.

Durante o encontro, o INSS declarou que não possui interesse em reapropriar o prédio e apoiou sua destinação para programas de habitação social e regularização fundiária. A SPU ressaltou que o edifício é classificado como patrimônio não operacional, passando por avaliação para possível transferência de gestão como bem prioritário.

Para o MPF, essa convergência de interesses entre os órgãos públicos abre caminho para uma solução consensual que evite despejos e possibilite a requalificação do imóvel para fins sociais. O procurador responsável destacou a preferência de todas as partes pelo encerramento da ação de reintegração de posse, favorecendo uma destinação compatível com interesses sociais e de moradia.

Na proposta encaminhada à Justiça, o MPF defende o reconhecimento formal de que o INSS não tem mais interesse no imóvel, propondo sua utilização como moradia de interesse social e o encerramento do processo judicial. O texto sugere ainda a adoção de mecanismos de regularização fundiária que preservem a organização coletiva da ocupação, incluindo alternativas como programas habitacionais ou concessão de direito real de uso.

Se aprovada e homologada, a proposta deve resultar no encerramento da ação de reintegração, possibilitando que o prédio seja oficialmente utilizado para moradia social, atendendo ao princípio da função social da propriedade no centro do Rio.


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