O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), revelou que herdou uma dívida de aproximadamente R$ 480 milhões ao assumir o cargo, além de fazer críticas à gestão anterior por realizar distribuições de recursos sem foco na produção ou no desenvolvimento sustentável. Mesmo com um orçamento recorde de R$ 7 bilhões, ele apontou que a estrutura de gastos atual é insustentável.
Durante entrevista, Quaquá descreveu a situação financeira do município como um quadro de excessos e má alocação de recursos. Ele comparou o gerenciamento ao ambiente de um auditório de televisão, criticando a ênfase em programas sociais destinados a quem está apto ao trabalho, defendendo que a assistência financeira deve priorizar os vulneráveis, enquanto outros segmentos devem receber capacitação técnica e formação superior. Além disso, destacou contratos considerados abusivos com empresários e políticos, que estavam formalmente ligados ao orçamento municipal, o que dificulta uma reforma administrativa eficiente.
A estratégia do atual governo é concentrar esforços na redução de despesas correntes, com a proposta de alcançar um superávit de R$ 3 bilhões. Esses recursos devem ser utilizados em obras e projetos estruturantes, dispensando recursos do Fundo Soberano. Quaquá afirmou estar adotando uma postura firme na contenção de gastos, mesmo enfrentando resistência de setores da imprensa e políticos. A isso, soma-se uma ampliação na segurança pessoal do prefeito, que afirmou estar preparado para enfrentar riscos decorrentes de seu enfrentamento a interesses estabelecidos, incluindo a suposta intervenção de grupos que se beneficiavam de contratos antigos.
O relacionamento com o ex-prefeito Fabiano Horta também foi um ponto de destaque na fala de Quaquá. Segundo ele, o rompimento político ocorreu por motivos de deslealdade, após o descumprimento de um acordo de candidatura ampla do grupo, que resultou na candidatura de Horta a deputado sem prévio aviso. O prefeito reforçou que pretende consolidar uma gestão mais focada na produção e na qualificação da força de trabalho.
Nesse sentido, programas como o Passaporte Universitário também passarão por mudanças. Quaquá considerou que a antiga fase do projeto formava profissionais em áreas sem demanda na região, gerando profissionais sem inserção no mercado de trabalho, como “doutores dirigindo Uber”. A reformulação priorizará cursos de engenharia, turismo, agronomia e veterinária, alinhados à proposta de atrair indústrias e empreendimentos turísticos ao município, ampliando o foco na economia local e na preparação de mão de obra específica para o desenvolvimento econômico.
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