março 11, 2026
março 11, 2026
11/03/2026

Prefeito do Rio critica uso político da Polícia na prisão de vereador suspeito de ligação com o crime

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, questionou nesta quarta-feira a ação policial que resultou na prisão do vereador Salvino Oliveira, ocorrida na manhã do mesmo dia. Paes criticou o governo estadual por suposto uso político da Polícia Civil na operação, alegando que a ação parece estar relacionada ao momento eleitoral.

A operação, denominada Contenção Red Legacy, investiga supostas negociações do vereador com o traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca. Segundo as apurações, Oliveira teria autorizado campanhas eleitorais em uma área sob domínio do Comando Vermelho na Zona Sudoeste, especificamente na Gardênia Azul. Paes afirmou que o combate ao envolvimento do crime na política é necessário, mas questionou o momento em que a operação foi conduzida. Ele afirmou ainda que não tolera irregularidades e que, se houver comprovação de envolvimento de Oliveira ou de qualquer pessoa, tomará as devidas providências.

O prefeito ressaltou a trajetória do parlamentar, que, segundo sua avaliação, é um jovem eleito de origem humilde, natural da Vila de Deus, e que já foi secretário municipal da Juventude. Além disso, Paes criticou atuação do governo estadual e aliados, acusando-os de omissão e conivência com organizações criminosas, que, segundo ele, contribuem para a crise de segurança pública no estado. Paes também lembrou investigações recentes contra aliados do governador, incluindo uma operação da Polícia Federal que resultou na prisão do delegado Fabrízio Romano no âmbito da Operação Anomalia, além de envolvimento de outros ex-funcionários públicos suspeitos de corrupção.

A manifestação de Paes veio logo após uma publicação do governador Cláudio Castro em suas redes sociais, na qual ele descreveu a prisão do vereador como uma ação contra o braço direito do Comando Vermelho na Prefeitura do Rio. Castro afirmou que Salvino Oliveira teria negociado com Doca a possibilidade de realização de campanhas eleitorais em áreas controladas por facções criminosas e salientou a presença de organizações criminosas na administração pública há décadas, relacionando a presença do crime organizado à crise de segurança pública enfrentada pelo estado.

O episódio revela um momento de forte tensão entre o prefeito e o governador, em meio ao clima político inflamatório e às disputas de 2026. A troca de acusações reflete o acirramento das disputas eleitorais e um cenário de confrontos públicos ligados às estratégias de política de segurança no Rio de Janeiro.


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