A Prefeitura do Rio oficializou nesta quarta-feira (20) a alteração do nome do galpão cultural situado na Praça Carlos Alberto Torres, popularmente conhecida como Praça do Trem, no bairro do Engenho de Dentro. A partir de agora, o espaço passa a se chamar Comendador Noca da Portela, em homenagem póstuma ao sambista Osvaldo Alves Pereira, conhecido como Noca da Portela, que faleceu aos 93 anos no último domingo.
A medida foi publicada por meio de um decreto assinado pelo prefeito Eduardo Cavaliere, reconhecendo a relevância do artista para o samba, a cultura popular brasileira e a história afetiva da cidade. Natural de Leopoldina, Minas Gerais, Noca chegou ao Rio de Janeiro ainda criança e iniciou sua trajetória musical aos 15 anos, participando da agremiação Unidos do Catete. Em 1967, foi convidado por Paulinho da Viola para integrar o elenco da escola de samba Portela, onde conquistou destaque tanto artístico quanto emocional.
Dentre suas obras mais conhecidas estão músicas como “Recordar é viver”, “Gosto que me enrosco”, “Os olhos da noite” e “ImaginaRio, 450 janeiros de uma cidade surreal”. Além de compor sambas memoráveis, Noca integrou o Trio ABC da Portela e foi responsável por letras que marcaram a história da escola, incluindo “Portela querida”, eternizada na voz de Elza Soares. O decreto ressalta ainda que o artista recebeu diversas honrarias ao longo de sua vida, como a Ordem do Mérito Cultural e a Ordem de Rio Branco, sendo considerado “comendador do samba”.
Além da atuação musical, Noca teve relevante participação política e cultural. Foi membro do Partido Comunista Brasileiro e ocupou o cargo de secretário estadual de Cultura entre 2006 e 2007. Na sequência, tentou uma vaga na Câmara Municipal do Rio, pelo PSB, em 2008.
A homenagem ao sambista foi endossada pelo ex-diretor cultural da Portela, Rogério Rodrigues, que considerou a iniciativa uma atitude justa e simbólica. Para ele, Noca foi uma figura de grande importância para a defesa da cultura e do samba, além de simbolizar valores democráticos e de resistência.
O corpo de Noca da Portela foi velado na quadra da escola de samba e sepultado na terça-feira (19), próximo ao local em que construiu sua trajetória artística e de vida.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



