A Prefeitura do Rio de Janeiro inaugurou neste sábado (14) o novo Terminal Margaridas, situado em Irajá, na Zona Norte, como parte de uma iniciativa de integração do transporte público na cidade. Localizado na confluência da Avenida Brasil com a Via Dutra, o terminal facilitará a conexão entre o corredor BRT Transbrasil e linhas de ônibus atuantes na Baixada Fluminense.
As obras tiveram início em 2023, e a operação dos primeiros veículos deve começar ainda nesta mesma manhã. Inicialmente, seis linhas de ônibus, que atendem bairros da Zona Norte e Oeste, passarão a realizar embarques e desembarques no novo equipamento. Além disso, durante a cerimônia de inauguração, o prefeito anunciou a implantação de uma linha intermunicipal que ligará Mesquita, na Baixada Fluminense, ao Terminal Margaridas. A expectativa é que essa linha comece a operar na segunda-feira (16), com uma tarifa de R$ 9,20, válida para a integração com demais transportes.
Segundo o gestor municipal, o novo terminal visa facilitar deslocamentos diários de trabalhadores que moram na Baixada Fluminense e precisam se deslocar até a cidade do Rio. A iniciativa é apresentada como uma alternativa aos atuais serviços intermunicipais, promovendo maior comodidade ao usuário. Dados oficiais indicam que mais de um milhão de pessoas se deslocam diariamente de cidades da Baixada Fluminense para trabalhar na capital, sendo que a nova estrutura pode ampliar as opções de transporte, incluindo a utilização do BRT para chegar a diferentes áreas, como a Zona Oeste e o Terminal Gentileza.
A infraestrutura do Terminal Margaridas dispõe de aproximadamente 63 mil metros quadrados de área construída e recebeu um investimento superior a R$ 54 milhões, provenientes dos recursos municipais. O projeto faz parte da expansão do corredor BRT Transbrasil, que, desde março de 2024, conecta Deodoro ao Terminal Gentileza, facilitando o fluxo de ônibus entre a Zona Norte e o Centro do Rio. Atualmente, os veículos percorrem a Avenida Brasil até a Rodoviária do Rio, passando pelo Terminal Américo Fontenelle, na região da Central do Brasil.
Apesar da implementação, a iniciativa enfrentou críticas por parte do governo estadual. O presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Estado (Detro) argumentou que a criação do terminal poderia contrariar a Constituição estadual, que atribui ao governo do estado a responsabilidade pelo transporte intermunicipal. Segundo ele, o órgão estadual tentou estabelecer diálogo com a prefeitura nas últimas semanas.
Em contrapartida, o prefeito criticou o sistema de transporte intermunicipal estadual e sugeriu que o governo do estado deveria priorizar melhorias na região metropolitana, como a redução de tarifas e a renovação da frota de veículos. Além disso, o projeto de expansão do BRT integra uma proposta de sistema tarifário unificado para a região metropolitana, que inclui a criação do Bilhete Único Metropolitano (BUM) e uma ampliação do sistema de bilhetagem municipal, o Jaé.
Para viabilizar essa integração, é necessário um acordo entre a prefeitura do Rio, o governo estadual e as administrações municipais da Baixada Fluminense, de modo a permitir que os passageiros possam realizar deslocamentos intermunicipais com uma única passagem. A estimativa é que, com o novo modelo, cerca de 300 ônibus deixem de circular diariamente pela Avenida Brasil, contribuindo para a fluidez do tráfego e a redução de congestionamentos.
A expectativa é que, com as melhorias no transporte doméstico, o tempo de viagem entre a Baixada Fluminense e o Rio seja reduzido em até 50%, beneficiando usuários de cidades como Nova Iguaçu, Belford Roxo, São João de Meriti, Nilópolis, Mesquita, Queimados, Japeri e Paracambi.
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