O fundo de previdência dos servidores municipais de Campos dos Goytacazes enfrenta uma crise financeira de longo prazo, com um déficit atuarial estimado em aproximadamente R$ 5 bilhões. Desde 2013, a gestão do PreviCampos aplicou cerca de R$ 500 milhões em fundos considerados problemáticos, ligados a suspeitas de fraudes, irregularidades na auditoria ou baixa liquidez, o que agravou a saúde financeira do instituto.
As aplicações foram feitas durante o período de gestão da então prefeita Rosinha Garotinho, que, contestada, afirmou não ter participado das decisões de investimento. Segundo ela, as decisões eram tomadas pelos responsáveis pelo fundo e pelo conselho na época. Atualmente, o patrimônio do fundo está na casa de R$ 1,2 bilhão, mas a projeção de gastos futuros supera esse valor significativamente, especialmente diante de despesas relacionadas às aposentadorias dos servidores.
Algumas dessas aplicações resultaram em perdas ou conexões com projetos que se tornaram alvo de investigação e processos judiciais. Um exemplo é o empreendimento Golden Tulip, encerrado na cidade de Belo Horizonte, ligado a Henrique Vorcaro, pai de um dos controladores do Banco Master. Outro caso é o antigo hotel Trump no Rio de Janeiro, cujo funcionamento foi suspenso por irregularidades processuais e operação fraudulenta identificada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que aplicou multas superiores a R$ 100 milhões aos envolvidos.
Hoje, os investimentos nesses fundos problemáticos representam 36,75% do patrimônio do PreviCampos, percentual que chegou a 82,68% em determinados momentos. Essa alta concentração evidencia o impacto de decisões do passado sobre a liquidez atual da previdência. Essa questão já foi denunciada anteriormente pelo Tribunal de Contas do Estado, que, em 2021, apontou prejuízos superiores a R$ 312 milhões decorrentes de aplicações financeiras irregulares do fundo, considerada a base de estudos e projeções consideradas insustentáveis na época.
A situação de risco afeta diretamente os servidores públicos de Campos e é vista como uma ameaça real ao funcionamento do sistema previdenciário municipal. Aproximadamente 19.5 mil funcionários podem ser impactados em caso de eventual colapso, que já consta das projeções atuariais do município. O cenário atual evidencia uma crise de longa duração, agravada por gestões passadas que não resolveram o passivo acumulado, deixando um sistema financeiro altamente vulnerável.
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