Um projeto de reabilitação de manguezais na Área de Proteção Ambiental de Guapimirim resultou no retorno de mais de 70 espécies animais à Baía de Guanabara, contribuindo para a recuperação ecológica da região.
Embora a imagem negativa da baía esteja ligada à poluição e a problemas ambientais históricos, iniciativas de conservação têm promovido mudanças positivas de forma discreta. Na área de Guapimirim, o esforço de reflorestamento de manguezais tem revertido processos de degradação, restabelecendo a biodiversidade e fortalecendo o ecossistema local.
A restauração inclui espécies como mangue-vermelho e mangue-branco, que oferecem abrigo, locais de reprodução e fontes de alimento para diversas espécies. Desde crustáceos como o caranguejo-uçá, que voltou a proliferar na área, até peixes e camarões, todos se beneficiaram do replantio, que criou ambientes seguros para a desova e o desenvolvimento dos animais.
O impacto positivo é perceptível na avifauna: mais de 70 espécies, incluindo garças, colhereiros e gaviões-pescadores, passaram a frequentar a região, atraídas pela abundância de presas. Assim, a área se consolidou como um importante ponto de observação e preservação de espécies migratórias e nativas.
O papel do manguezal como proteção do litoral é fundamental. Sua estrutura ajuda a filtrar sedimentos, metais pesados e lixo transportados pelos rios, reduzindo a quantidade de poluentes que chegam à baía. Além disso, esses ecossistemas atuam como sumidouros de carbono, armazenando quantidades expressivas do gás na vegetação e no solo, colaborando na mitigação das mudanças climáticas. Em fatores de resiliência, as raízes do mangue funcionam como barreira natural, amortecendo o impacto das ondas em períodos de ressaca e evitando a erosão das margens.
A preservação dos manguezais também tem impacto socioeconômico. Servindo de berçário para espécies de importância para a pesca artesanal, esses ambientes sustentam a atividade pesqueira, que emprega milhares de famílias no litoral. A manutenção da biodiversidade contribui para uma oferta mais constante de pescado, promovendo maior estabilidade econômica às comunidades tradicionais, além de potencializar oportunidades de turismo ecológico e educação ambiental.
Na prática, o sucesso do projeto em Guapimirim reforça a ligação entre sustentabilidade e bem-estar social. A recuperação dos manguezais renovou os estoques pesqueiros, vital para a subsistência das famílias locais, e mostrou que a recuperação ecológica pode ser uma alternativa viável frente aos desafios ambientais da cidade.
Com a continuidade dessas ações, espera-se que o ecossistema se fortaleça ainda mais, beneficiando não só a biodiversidade, mas também a economia e a qualidade de vida das comunidades que vivem na região.
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