agosto 15, 2026
agosto 15, 2026
15/08/2026

Proliferação de scooters elétricas sem fiscalização ameaça segurança em Maricá

Veículos elétricos de duas rodas proliferam nas ruas de Maricá de forma descontrolada, sem registro, habilitação ou fiscalização por parte das autoridades locais. Um incidente ocorrido na última terça-feira, registrado por câmera de bordo, evidencia os riscos dessa situação — e os dados do Rio de Janeiro indicam caminhos possíveis para o que pode acontecer se a situação não for contornada.

Na ocasião, um motorista de um dos veículos trafegava por uma rua da cidade quando quase se envolveu em uma colisão frontal com uma scooter elétrica que circulava na contramão em alta velocidade. As imagens mostram claramente a gravidade do episódio e ressaltam o perigo que esse tipo de circulação representa para motoristas, pedestres e condutores dos próprios veículos.

O episódio não é pontual, mas representativo de um problema que se apresenta de forma crescente nas vias de Maricá: a proliferação de scooters e bicicletas elétricas que ocorrem sem qualquer controle, em ambiente de ausência de licenciamento obrigatório e muitas vezes conduzidas por pessoas sem formação adequada, incluindo crianças. A facilidade de compra, além do baixo custo e da baixa fiscalização, favorece a circulação de veículos muitas vezes conduzidos de forma irresponsável.

A situação se agrava pelo uso irregular desses veículos estacionados em calçadas, bloqueando acessos para pedestres, cadeirantes e usuários de carrinhos de bebê. Também há ocupação irregular de vagas em estacionamentos destinados a motocicletas, gerando conflito com motociclistas habilitados. A falta de infraestrutura adequada, como paraciclos e áreas específicas de recarga, acentua o problema e amplia a circulação de veículos improvisados, reforçando a necessidade de planejamento urbano especializado.

Dados do Rio de Janeiro refletem a gravidade do avanço descontrolado. Em um único ano, os atendimentos por acidentes envolvendo veículos de micromobilidade saltaram de 274 para 2.199, uma alta de 702%. Nos primeiros meses de 2025, as ocorrências registradas pelo Corpo de Bombeiros quase triplicaram, chegando a 431 casos. Diversos acidentes, alguns com vítimas menores de idade, evidenciam o risco crescente de fatalidades e sequelas graves.

Na esfera legislativa, o município já discute medidas preventivas. Em setembro de 2025, foi aprovado um projeto de lei que restringe a circulação de motocicletas, motonetas, ciclomotores e triciclos às ciclovias e ciclofaixas, permitindo apenas bicicletas convencionais e elétricas com pedal assistido, sujeitas a limites de velocidade e potência. A iniciativa surgiu após uma visita de um vereador à ciclofaixa da Orla de Itaipuaçu, que revelou invasões frequentes dessas vias por veículos não autorizados.

A situação exige uma resposta integrada por parte do poder público, com fiscalização mais efetiva e ações educativas direcionadas aos condutores, especialmente os menores de idade. Para além da repressão, há a necessidade de implementar políticas de infraestrutura que promovam o estacionamento organizado e espaços específicos de recarga, garantindo convivência segura entre todos os usuários do sistema viário.

Cidades como Xangai, Pequim e Shenzhen, que consolidaram a micromobilidade elétrica, investiram significativamente em infraestrutura própria, evitando a degradação das calçadas e o conflito com outros veículos. Maricá possui oportunidade de atuar preventivamente, aprendendo com experiências passadas de outras localidades, como o Rio de Janeiro, onde o endurecimento das fiscalizações ocorreu após aumento expressivo de acidentes graves.

Embora as scooters e bicicletas elétricas representem uma alternativa de mobilidade mais sustentável e econômica, a ausência de uma regulação clara e de estrutura adequada tem potencial para gerar consequências graves à medida que a frota cresce. Com a expansão urbana e o aumento do número de veículos, o controle sobre esse modal se torna imperativo para prevenir acidentes de maior gravidade na cidade.

Por ora, permanece a questão de se a administração pública adotará medidas preventivas ou esperará por uma tragédia para agir. As ações e o planejamento futuro definirão o padrão de convivência na mobilidade urbana de Maricá nos próximos meses.


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