O deputado estadual Felipe Poubel (PL-RJ) passou a ser alvo de questionamentos após a identificação de uma propriedade rural localizada no distrito de Aldeia Velha, em Silva Jardim (RJ), associada ao seu nome. Avaliação preliminar realizada por um profissional do mercado imobiliário, a pedido da reportagem, estima que o imóvel — considerando área, benfeitorias e padrão construtivo — possa ultrapassar R$ 3 milhões.
Imagens obtidas pela equipe indicam que o local vem recebendo obras e ampliações significativas, com a construção de duas novas casas, reforma integral de outra residência, instalação de baias para cavalos e a edificação de uma ponte de acesso exclusiva sobre o rio que corta o terreno. Segundo moradores ouvidos, a movimentação de trabalhadores e materiais ocorre com frequência desde o final de 2025.
Aldeia Velha é considerada uma das áreas mais valorizadas da zona rural de Silva Jardim, reconhecida por rios limpos, mata preservada e paisagens naturais. Especialistas consultados afirmam que o valor do metro quadrado no distrito está entre os mais elevados do município, o que reforça a estimativa de alto investimento.
Apesar disso, dados públicos do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) indicam que, na última declaração de bens apresentada pelo parlamentar, o patrimônio total declarado era de R$ 281.352,38, incluindo R$ 150 mil em espécie. A diferença entre o montante informado oficialmente e o valor estimado do imóvel e das obras suscita questionamentos sobre a compatibilidade patrimonial e a origem dos recursos empregados.
O episódio ganha relevo por envolver um deputado que construiu projeção política com retórica de enfrentamento e discurso anticorrupção, frequentemente protagonizando embates públicos com agentes da Guarda Municipal, profissionais de saúde e autoridades policiais. Nesse contexto, a transparência patrimonial torna-se tema de interesse público.
A reportagem procurou o deputado para solicitar esclarecimentos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestação, detalhamento da origem dos recursos ou apresentação de documentação que esclareça os valores envolvidos.
Enquanto isso, as obras seguem em andamento no terreno de Aldeia Velha, mantidas sob discrição. Um morador da região, ouvido sob condição de anonimato, resumiu o sentimento local:
“Aqui em Silva Jardim chove quase o ano todo, mas nunca choveu dinheiro.”



