O lançamento de 390 radares para fiscalização eletrônica nas rodovias estaduais do Rio de Janeiro foi realizado sem a devida atenção às condições de infraestrutura e sinalização das rodovias, incluindo trechos como as RJ-104 e RJ-106, que receberam a substituição de 143 equipamentos de fiscalização. Apesar do incremento nas ações de fiscalização, há reivindicações recorrentes de motoristas quanto à presença de crateras, pavimentação irregular, vegetação excessiva nas margens e ausência de sinalização adequada, que aumentam os riscos de acidentes.
Usuários das vias destacam que o crescimento da vegetação compromete a visibilidade das calçadas e, em alguns locais, a situação persiste mesmo após intervenções pontuais. Uma comerciante relatou dificuldades na percepção de outros veículos devido ao excesso de plantas ao longo das pistas, além de problemas de alagamento em dias de chuva, que obrigam pedestres a caminhar pela pista de rolamento. Pedestres e motoristas observam que, em determinados trechos, o mato alto obriga o fluxo a dividir espaço e aumenta o risco de acidentes graves.
Motoristas de transporte alternativo também destacam a importância dos radares para a segurança no trânsito, mas reforçam que o estado do asfalto compromete a prevenção de acidentes. Um mototaxista apontou que o mato e os buracos, presentes em várias partes da via, prejudicam veículos leves e motos, além de danificar os componentes de suspensão. Ele citou trechos que incluem a entrada do Caramujo, Santa Bárbara e Novo México como áreas de maior deterioração.
Na RJ-104, a situação se mostra bastante degradada. Um trecho em São Gonçalo, na altura do IML de Tribobó, apresenta vegetação que invade calçadas, comprometendo a infraestrutura urbana. Motoristas e pedestres indicam a RJ-104 como a mais afetada por buracos e irregularidades, além de registrarem a percepção de que a fiscalização eletrônica tem uma finalidade predominantemente arrecadatória, sendo vista por muitos como uma forma de aumentar receitas sem foco na segurança.
Histórico de negligência e abandono também foi agravado por problemas na sinalização e na acessibilidade, com vegetação cobrindo placas e invadindo acessos às passarelas, expondo pedestres a riscos de acidentes. Em resposta, o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) confirmou que as principais rodovias estaduais, incluindo RJ-104 e RJ-106, possuem alta circulação diária, envolvendo transporte intermunicipal e deslocamentos urbanos. Informaram que os radares estão passando por atualização tecnológica ao longo de suas malhas, e que a instalação segue critérios estabelecidos pelo Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN), visando aumentar a segurança viária por meio do controle de velocidade, sinalizações de avanço de faixa, parada em sinais e monitoramento de acostamentos. No entanto, o órgão não especificou prazos para melhorias na pavimentação ou na manutenção da sinalização, nem anunciou ações de recapeamento ou revitalização.
Paralelamente, tramita na Assembleia Legislativa uma discussão sobre possíveis irregularidades no processo de contratação dos radares. Deputado estadual solicitou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os procedimentos de licitação e implementação dos equipamentos, após apresentação de documentos ao Tribunal de Contas do Estado. Segundo informações divulgadas, há indícios de alterações no modelo de contratação entre as licitações de 2021 e 2025, especialmente quanto aos valores, à divisão em lotes e à participação de consórcios, além de um aumento expressivo nos custos unitários por radar, que passaram de cerca de R$ 3,4 mil para mais de R$ 30 mil por equipamento. A nova contratação, de valor superior a R$ 231 milhões, apresenta uma redução de aproximadamente 4% em relação ao valor previsto inicialmente, embora o aumento do custo por unidade levante questionamentos sobre a gestão dos recursos públicos e possíveis irregularidades no processo de licitação.
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