junho 2, 2026
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02/06/2026

Requalificação da Capela de São José da Boa Morte preserva patrimônio e potencializa turismo em Cachoeiras

As ruínas da antiga Capela de São José da Boa Morte, situada em Cachoeiras de Macacu, no interior do Rio de Janeiro, estão passando por processos de restauração e requalificação. A estrutura, tombada pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural desde 1989, deve ganhar um centro comunitário e um espaço cultural acessível ao público ainda neste ano.

Construída em 1734, a capela representa uma importante referência na história religiosa e social da região. Até o século XIX, foi palco de batismos, casamentos e sepultamentos, além de ser cenário de eventos ligados à vida comunitária e episódios de luta camponesa. As obras de conservação começaram em 2025, realizadas pela Elysium Sociedade Cultural, em parceria com a prefeitura local e a Nova Transportadora do Sudeste, apoiadas pela Lei de Incentivo à Cultura. O investimento total previsto é de cerca de R$ 18 milhões.

O projeto de restauração inclui reforço estrutural, ações de preservação e medidas voltadas à sustentabilidade. Uma novidade prevista é a instalação de um mirante, que permitirá aos visitantes uma nova perspectiva sobre o conjunto histórico, sem alterar sua estrutura original. Segundo o responsável técnico, o engenheiro Pedro Carim, essa intervenção busca criar um espaço de contemplação que respeite a autenticidade das ruínas.

A equipe de arquitetura enfatiza que as ações são controladas para garantir a preservação do patrimônio. A arquiteta Jéssica Marques explica que as intervenções visam manter a integridade do local, evitando perdas no processo. A iniciativa também busca deixar um legado para a comunidade local, ao fortalecer o vínculo com a história por meio da conservação do bem cultural, conforme expressou Erick Pettendorfer, CEO da NTS.

A área, próxima ao Rio Macacu e a pontos de interesse para trekking, montanhismo e rapel, já atrai turistas que buscam atividades de ecoturismo e esportes de aventura. Com a requalificação, espera-se um impulso no fluxo de visitantes, valorizando ainda mais o turismo na cidade. A localidade faz parte da rota Cenários e Sabores, que combina turismo rural, ecológico e gastronômico, além de integrar o circuito estadual de ciclismo.

De acordo com a especialista Rachel Wider, a história da capela remonta à sua construção inicial em pau a pique, técnica de barro e madeira. Ela destaca que a capela já possuía uma pia batismal em 1758, sinalizando o fortalecimento da comunidade local. Os enterramentos dentro da igreja, prática comum na época, evidenciam as crenças sociais e religiosas da época. A preservação das ruínas permite uma compreensão mais profunda do passado, contribuindo para a conexão entre história e presente, além de fornecer valiosos conhecimentos sobre técnicas construtivas antigas e a trajetória da região.


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