A Academia Brasileira de Ciências realizará, entre os dias 5 e 7 de maio, a Reunião Magna 2026, cujo tema é “Oceano do Amanhã: ciência para um planeta em equilíbrio”. O evento, de entrada gratuita, ocorre no Museu do Amanhã, e reunirá cientistas nacionais e internacionais para discutir os principais desafios enfrentados pelos oceanos diante das mudanças climáticas, em alinhamento com a Década da Ciência Oceânica da ONU (2021-2030). As inscrições podem ser feitas pelo site oficial da instituição.
Os oceanos, responsáveis por absorver cerca de 90% do calor excedente do planeta, têm sofrido um aumento de temperatura que, nas últimas vinte anos, dobrou. Além do aquecimento, enfrentam problemas como a poluição e a exploração excessiva, apontam estudos da UNESCO. Durante a reunião, serão abordadas questões como a sobrepesca, a poluição por microplásticos, a expansão da exploração em regiões de águas profundas e os efeitos das mudanças climáticas, como a acidificação e a diminuição do oxigênio nos ecossistemas marinhos.
Segundo Luiz Drude de Lacerda, coordenador do evento, o oceano desempenha papel central no equilíbrio ambiental global, influenciando a biodiversidade, o clima e o bem-estar das populações humanas. Ele alerta que esse sistema vem sendo sujeito a pressões crescentes, incluindo contaminação, uso intenso de recursos naturais e os impactos do aquecimento global, colocando em risco sua integridade.
A presidente da ABC, Helena Nader, destaca a importância de dar atenção especial aos oceanos, especialmente ao longo da extensa costa brasileira. Ela reafirma o compromisso de discutir os recursos marinhos, os efeitos dos microplásticos e o aquecimento global, reforçando a necessidade de uma agenda internacional que envolva especialmente o Sul Global na preservação dos ecossistemas oceânicos.
Dentro da programação, está prevista uma Conferência Magna com a oceanógrafa Leticia Reis de Carvalho, secretária-geral da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, vinculada às Nações Unidas. Ela abordará os desafios na governança global dos oceanos e a importância da cooperação internacional para a conservação desses ambientes.
Outros temas discutidos incluem os impactos da poluição por mercúrio na cadeia alimentar, apresentados pelo químico Lars-Eric Heimburger-Boavida, e as inovações digitais de monitoramento marinho, propostas por Pierre Bahurel, CEO da Mercator Ocean International. O oceanógrafo Edmo Campos, professor da USP, falará sobre o colapso da Circulação Meridional do Atlântico, um fenómeno que influencia o clima europeu e global, destacando a importância das interações entre oceano e atmosfera.
A agenda também abordará as políticas de conservação, o papel social dos oceanos e os efeitos das mudanças climáticas sobre os sistemas marinhos. Temas relacionados à participação de mulheres na ciência oceânica e à governança de áreas marinhas internacionais também estarão em pauta.
A programação detalhada pode ser acessada no site oficial do evento, que ocorrerá no Museu do Amanhã, na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro, começando às 8h.
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