março 25, 2026
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25/03/2026

Rio de Janeiro adia eleição-tampão para governador devido a dúvidas jurídicas geradas por decisão do TSE

O atual governador em exercício do estado do Rio de Janeiro optou por adiar a realização da eleição para o cargo de governador, prevista inicialmente como uma votação-tampão. A decisão ocorreu após uma deliberação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) gerar dúvidas acerca do formato do pleito, que pode ser direto, com participação popular, ou indireto, realizado apenas por membros da Assembleia Legislativa (Alerj).

Após a renúncia de Cláudio Castro, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), Ricardo Couto, assumiu interinamente o comando do Executivo estadual. Nesta quarta-feira (25), ele informou que enviou um ofício ao TSE buscando esclarecimentos sobre o conteúdo da decisão. Couto destacou a necessidade de cautela, justificando a decisão pelo risco de questionamentos jurídicos e pela complexidade do cenário, que tem provocado debates internos sobre o procedimento adequado.

A incerteza decorre de uma interpretação divergente sobre a decisão do tribunal na análise de um caso envolvendo Castro e Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj, relacionado a um escândalo do Ceperj. O documento do TSE refere-se ao artigo 224 do Código Eleitoral, que trata de novas eleições em casos de cassação de mandato, o que, em teoria, poderia permitir uma votação direta. No entanto, no julgamento, a maioria dos ministros considerou que a cassação de Castro havia sido prejudicada devido à sua própria renúncia, ocorrida na véspera do julgamento. Alguns ministros defendem que a decisão deveria registrar a cassação, alimentando debates quanto à interpretação do entendimento do tribunal.

Advogados ligados a Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio, aproveitaram as ambiguidades na decisão do TSE para reforçar a possibilidade de uma eleição direta. Eles argumentam que a renúncia de Castro, possivelmente criada para evitar a cassação formal, poderia contornar a necessidade de votar pelo voto popular na substituição do governador. Assim, essa estratégia jurídica busca influenciar o modelo de eleição, já que a votação direta tende a valorizar resultados de pesquisas eleitorais, em que Paes lidera.

Apesar do prazo legal de 48 horas para convocação de uma nova eleição após a formalização da renúncia, o governador interino preferiu suspender essa medida. Ele afirma que a decisão visa garantir o andamento regular do processo, evitando questionamentos jurídicos futuros, sobretudo num momento de acirramento político na Casa Legislativa.

Enquanto a definição sobre o formato de eleição ainda não foi resolvida, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa as regras aplicáveis a uma eventual eleição indireta. Recentemente, o ministro Luiz Fux solicitou mudanças nas normas, incluindo a obrigatoriedade de desincompatibilização de candidatos com seis meses de antecedência e a adoção do voto secreto pelos deputados estaduais. A Procuradoria-Geral da República (PGR), por sua vez, manifestou-se contrária às alterações propostas, defendendo a manutenção das regras atuais, que preveem uma desincompatibilização mais rápida e votação aberta.

Outros elementos complicam a situação, como a cassação do mandato do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar. Essa decisão pode levar à recontagem de votos do deputado, o que pode alterar a composição da Casa Legislativa. Caso seja mantida a hipótese de eleição indireta, caberá aos deputados estaduais escolherem o próximo governador, após a eleição de um novo presidente da Alerj, que assumirá interinamente o comando do estado.

A complexidade jurídica é agravada pelo fato de que, de acordo com a legislação eleitoral, eleições indiretas só podem ocorrer no último semestre do mandato. Como a renúncia ocorreu antes de o julgamento ser concluído, há uma zona cinzenta na legislação, que ainda pode ser questionada no STF, além de possíveis recursos pendentes.

Atualmente, o cenário permanece indefinido, com decisões que podem influenciar significativamente o desfecho do processo eleitoral na Assembleia Legislativa e no governo do Rio de Janeiro.


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