O município do Rio de Janeiro continua descartando grande parte de seus resíduos sem reaproveitamento econômico ou ambiental. Segundo estudo do Mestrado em Ciências do Meio Ambiente da Universidade Veiga de Almeida, a cidade produz aproximadamente 3,4 milhões de toneladas de lixo por ano, das quais menos de 1% são processadas para reciclagem.
A análise, baseada em dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico de 2025, revela que grande parte desses resíduos, com valor comercial potencial, acaba depositada em aterros sanitários sem qualquer tipo de recuperação. Se apenas 10% dessa quantidade fosse reciclada, estima-se que o valor movimentado poderia variar de R$ 75 milhões a R$ 145 milhões anualmente.
Um cenário mais otimista aponta que a recuperação de metade dos resíduos gerados poderia gerar um retorno financeiro de até R$ 720 milhões por ano. Essa estimativa contempla materiais recicláveis secos, como plástico, papel, metal e vidro, além da fração orgânica, que poderia ser encaminhada à compostagem ou utilizada na geração de energia.
Atualmente, quase a totalidade dos resíduos destina-se ao descarte final, com cerca de 3,36 milhões de toneladas das 3,4 milhões de resíduos produzidos anualmente indo para aterros sem reaproveitamento. Essa realidade evidencia uma dificuldade antiga do município em transformar resíduos em fonte de receita, emprego e redução do impacto ambiental, pois materiais valiosos permanecem descartados sem possibilidade de reinserção na economia local.
Até o momento, não há indicações de mudanças de grande escala no sistema de gestão de resíduos no Rio de Janeiro.
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