O novo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, tomou posse aos 31 anos e assume o cargo com o maior orçamento já destinado ao município, de aproximadamente R$ 52 bilhões. Este cenário financeiro favorável coincide com uma administração marcada por desafios cotidianos relacionados ao ordenamento urbano, que permanecem entre as principais preocupações da população.
Embora a ampla disponibilidade de recursos facilite a implementação de projetos de grande escala, muitos problemas essenciais de estrutura ainda demandam atenção urgente. Dentre as ações planejadas, destaca-se a revitalização da região próxima ao Sambódromo, denominada Praça Onze Maravilha, que visa transformar bairros como Catumbi, Estácio e Cidade Nova. O projeto inclui, ainda, a implantação da Biblioteca dos Saberes, assinada pelo arquiteto Francis Kéré, e a criação de uma nova Cidade do Samba para abrigar as escolas de samba do Grupo Especial. O investimento total estimado para esse conjunto de intervenções é de R$ 1,75 bilhão, com previsão de conclusão em 2032, mediante parceria público-privada.
No entanto, as prioridades de curto prazo permanecem voltadas ao controle do ordenamento das vias públicas. Dados recentes mostram que o problema do estacionamento irregular é a principal reclamação registrada desde o começo de 2025, com mais de 200 mil ocorrências, principalmente na Zona Sul. As ações da prefeitura incluem o estudo de um sistema eletrônico de vagas com tarifas variáveis, ajustadas à demanda de cada região, em busca de reduzir a ocupação desordenada e a atuação de flanelinhas.
O trânsito também representa uma área de preocupação, com o aumento de motociclistas e ciclistas nas ruas resultando em crescimento no número de acidentes. Como resposta, a administração destinou um setor específico do Hospital Federal do Andaraí para atendimento às vítimas de trânsito e planeja ampliar ciclovias bem como criar motofaixas. Já na orla, a circulação descontrolada de bicicletas e patinetes elétricos reforça a dificuldade de fiscalização nesse espaço.
Outra dificuldade que afeta a qualidade de vida na cidade está relacionada à zeladoria urbana. Desde janeiro de 2025, mais de 190 mil solicitações envolvendo iluminação, tapa-buracos e remoção de lixo foram registradas. A redução nos investimentos na Secretaria Municipal de Conservação, que teve seu orçamento reduzido de mais de R$ 1 bilhão em 2024 para R$ 427 milhões em 2025, agravou a situação, com previsão de aumento para R$ 780 milhões em 2026, embora ainda abaixo do valor inicial. A suspensão do programa Asfalto Liso, por determinação do Tribunal de Contas do Município, devido a falhas na licitação, também reflete os entraves administrativos que impedem a resolução mais ágil dessas questões. A retomada do programa está prevista para ocorrer ainda neste ano, com aporte de aproximadamente R$ 222,8 milhões.
No médio prazo, a gestão projeta a ampliação do programa Reviver na Zona Norte, com foco na requalificação urbana, construção de moradias, melhorias na infraestrutura na Avenida Brasil e o estímulo a novos empreendimentos residenciais, comerciais e de áreas verdes, também por meio de parcerias com o setor privado.
Entre as ações herdadas do governo anterior, encontra-se a revitalização da Estação Leopoldina, projeto de grande porte que avança lentamente devido a entraves administrativos e financeiros. O projeto engloba a recuperação do prédio histórico e a construção da Fábrica do Samba, destinada às escolas de samba da Série Ouro, mas seu cronograma permanece indefinido.
Com uma gestão iniciada em um momento de alta expectativa, o desafio de Eduardo Cavaliere é equilibrar o avanço de grandes obras de urbanização com a resolução de questões básicas que impactam diretamente a rotina dos moradores. A capacidade de atuar nesses dois pontos será determinante para o desenvolvimento da sua administração.
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