A partir do final de maio, o transporte público de ônibus na cidade do Rio de Janeiro passará a aceitar pagamentos por Pix, cartões de débito e crédito diretamente nos validadores do sistema Jaé. A decisão foi anunciada em uma coletiva no Centro de Operações e Resiliência, conduzida pelo prefeito Eduardo Cavaliere e pelo secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes.
A mudança implica na retirada do dinheiro vivo das operações dos ônibus municipais, uma medida que visa modernizar a bilhetagem e aprimorar o controle da arrecadação. Atualmente, cerca de 95% das passagens são adquiridas por meio de cartão ou aplicativos móveis, uma porcentagem que, segundo a administração, garante a viabilidade da transição sem prejuízo ao acesso ao transporte público.
A partir de 30 de maio, os ônibus não aceitarão mais dinheiro em espécie, mas a coleta de recursos em locais físicos, como pontos de recarga, continuará. Estabelecimentos comerciais, máquinas de autoatendimento em estações e bilheterias mantêm a possibilidade de compra ou recarga utilizando dinheiro, formando uma rede que deve alcançar aproximadamente 2 mil pontos espalhados pela cidade.
As primeiras fases de testes para o pagamento por Pix terão início nesta semana, com operações realizadas em algumas linhas selecionadas. A expansão gradual visa garantir o funcionamento pleno até o final de junho. Similar procedimento será adotado para os pagamentos com cartões de débito e crédito, também em fase de testes e com previsão de cobertura total até o término do período.
A implementação dessa metodologia busca aumentar a segurança dentro dos coletivos, minimizando riscos de assaltos, além de otimizar o embarque e ampliar a fiscalização das receitas de tarifas públicas. O uso de dinheiro em espécie continuará disponível para recarga e aquisição do cartão Jaé, que atualmente pode ser carregado em mais de mil pontos físicos, incluindo estabelecimentos comerciais, máquinas automáticas e bilheterias de transporte.
A operação do cartão verde, que permite uma única viagem por R$ 10, sendo R$ 5 de tarifa e R$ 5 de casco, será ampliada gradualmente a mais de 700 bancas de jornal distribuídas pela cidade. O cartão só será válido para uma única viagem, com possibilidade de recarga ou devolução do valor original do casco.
A partir do dia 30 de maio, as integrações tarifárias feitas pelo Bilhete Único Carioca e pelo Bilhete Único Metropolitano estarão disponíveis somente via cartão preto do Jaé, vinculado ao CPF, ou pelo aplicativo do sistema. O cartão verde, operado atualmente, deixará de oferecer essa vantagem.
Segundo dados apresentados pela prefeitura, a adoção de canais eletrônicos já trouxe resultados expressivos, como o aumento de 300% nos cadastros do sistema, pico de 12 mil registros em um dia e queda de 20% no uso de dinheiro dentro dos ônibus. Além disso, houve redução de 20% nas recargas do cartão verde e de 19% nas utilizações de integração por esse método.
A experiência na linha 634, que opera sem pagamento em dinheiro desde os primeiros cinco dias úteis, mostrou que a operação transcorreu sem problemas, além de reduzir o tempo médio de viagem em 20%. A linha registrou uma média diária de aproximadamente 9.700 passageiros, com grande parte deles utilizando o sistema Jaé.
A administração municipal ressaltou que as mudanças visam melhorar o controle operacional e financeiro do sistema, reforçar a segurança dos passageiros e aumentar a transparência na arrecadação tarifária.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



