Pacientes com doença de Chagas que apresentam arritmias severas têm risco de mortalidade aumentado após cirurgias cardíacas, em comparação com pacientes com outras patologias cardíacas. Essa constatação veio de um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da USP, que analisou dados de pacientes submetidos a procedimentos no Hospital das Clínicas de São Paulo.
A pesquisa revelou que, para esse grupo, o índice de mortalidade no período pós-operatório é aproximadamente 2,4 vezes maior, chegando a uma taxa de 36%. O acompanhamento pós-alta foi destacado como essencial, sobretudo no gerenciamento de insuficiência cardíaca e outras condições associadas.
Os especialistas observam que o maior risco não decorre propriamente das arritmias, mas da complexidade das intervenções necessárias nesses casos. Muitas cirurgias demandam acesso à superfície do coração, procedimento considerado mais invasivo e de maior delicadeza, o que potencializa as chances de complicações.
A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, transmitido principalmente por insetos conhecido como barbeiro. A infecção pode afetar órgãos como o coração e o intestino, levando a danos que favorecem o desenvolvimento de insuficiência cardíaca e arritmias graves.
Para tratar essas condições, muitos pacientes recorrem à ablação por cateter, técnica destinada a eliminar áreas do tecido cardíaco responsáveis pelas irregularidades no ritmo. Segundo o estudo, quase 80% dos pacientes com doença de Chagas precisam de cirurgia que possibilite o acesso à camada externa do coração, procedimento presente em muito mais casos do que na cardiopatia isquêmica, que representa outra doença cardíaca importante. Com a maior complexidade, o procedimento eleva a incidência de complicações e instabilidade clínica.
O levantamento analisou 378 cirurgias realizadas em 288 pacientes entre 2011 e 2020, no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP. Os resultados foram publicados na revista The Lancet Regional Health – Americas. Os autores destacaram limitações, como a impossibilidade de realizar todos os exames desejados por questões financeiras e dificuldades no acompanhamento contínuo do uso de medicamentos e rotina de monitoramento dos pacientes ao longo do tempo.
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