Roberto Salles foi eleito para liderar a Universidade Federal Fluminense (UFF) no período de 2026 a 2030, com professora Luciana de Freitas assumindo a vice-reitoria. Sua gestão terá como foco a recuperação do orçamento, o fortalecimento do apoio estudantil, melhorias na infraestrutura e uma comunicação mais estreita com a comunidade acadêmica. A solenidade de posse está prevista para novembro.
Em entrevista, Salles destacou a felicidade pelo resultado, embora tenha criticado o clima durante a campanha eleitoral. Segundo ele, o processo foi marcado por disseminação de informações falsas e ataques durante a disputa. Ainda assim, afirmou que a comunidade universitária conseguiu avaliar adequadamente as propostas apresentadas pelos candidatos. “Fiquei bastante satisfeito com o resultado, apesar de uma campanha difícil, marcada por fake news e ataques. A comunidade soube analisar o que foi proposto e escolher a melhor direção para a UFF”, declarou.
O professor, que já ocupou a reitoria entre 2006 e 2014, explicou que decidiu disputar novamente o cargo por acreditar na necessidade de retomada de projetos de expansão e investimento na infraestrutura da instituição. Entre suas realizações anteriores, ele citou a criação de novas unidades acadêmicas, reformas, expansão da presença da universidade em diversos municípios e investimentos em equipamentos e instalações. “Minha gestão anterior trouxe melhorias na estrutura, ampliação de campi e fortalecimento da presença da UFF nas regiões. Acho que é hora de a universidade voltar a crescer e recuperar seu protagonismo”, comentou.
Ao comparar seu primeiro mandato com a próxima gestão, Salles afirmou estar mais preparado devido ao maior conhecimento da estrutura administrativa e dos desafios atuais. “Hoje tenho uma compreensão mais aprofundada da universidade e dos caminhos administrativos, o que facilitará a construção de soluções”, observou.
Entre as primeiras ações, ele planeja realizar um diagnóstico financeiro completo, a fim de compreender a situação orçamentária da instituição e definir prioridades. O objetivo é identificar dificuldades iniciais e buscar recursos junto ao Ministério da Educação, agências de fomento e emendas parlamentares. Além disso, destacou a importância de ampliar a captação de recursos provenientes de órgãos de incentivo à pesquisa, como Capes, CNPq e Faperj, bem como de projetos financiados por agências reguladoras e entidades públicas.
A assistência estudantil aparece como uma prioridade na futura gestão de Salles. Ele ressaltou que garantir a permanência dos estudantes na universidade é tão importante quanto ampliar o número de vagas. Para isso, pretende reforçar políticas relacionadas a alimentação, transporte, moradia e suporte à permanência, especialmente para estudantes em situação de vulnerabilidade social. Além disso, defende maior articulação com prefeituras nas regiões onde a UFF atua.
Outro ponto de atenção refere-se à necessidade de tornar os cursos mais atrativos aos jovens, por meio de profundas discussões sobre currículos e oportunidades de estágio. Segundo ele, a formação deve estar alinhada às mudanças sociais e às demandas do mercado de trabalho, além de simplificar burocracias que dificultam o acesso a programas de estágio e fortalecer parcerias para ampliar as possibilidades de inserção profissional.
Salles também manifestou a intenção de reforçar as parcerias com prefeituras e ampliar a presença da universidade em municípios onde ela mantém atividades acadêmicas. Para ele, a relação com a sociedade deve ser fortalecida, promovendo maior integração com os desafios das comunidades locais.
Na gestão futura, a intenção é adotar uma administração mais participativa, com maior diálogo com estudantes, docentes, funcionários e terceirizados. Entre as ações propostas está a retomada de atividades presenciais nos conselhos superiores, mantendo a possibilidade de participação em sistema híbrido.
A vice-reitora Luciana de Freitas terá papel ativo na administração, especialmente na condução de temas ligados às licenciaturas e à formação de professores. Para Salles, fortalecer os cursos de licenciatura é uma estratégia indispensável para contribuir com a educação básica e ampliar o impacto social da universidade.
Ao finalizar, o professor destacou que busca uma universidade mais integrada aos seus públicos, intensificando o diálogo interno e fortalecendo áreas essenciais, como assistência estudantil, pesquisa, extensão e captação de recursos.
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