Uma colisão na rodovia RJ-102, conhecida como ‘Serrinha’, voltou a causar preocupação após ocorrer no dia 14, na descida da serra em direção a Itaipuaçu. As imagens do acidente, divulgadas recentemente, reacenderam o debate sobre as condições de segurança na via, que possui histórico frequente de ocorrências.
Dados do Corpo de Bombeiros indicam que o número de acidentes na rodovia permanece elevado. Até o momento, tanto em 2025 quanto nos primeiros meses de 2026, várias ocorrências foram registradas na estrada, especialmente na descida da serra. Em 14 de março, câmeras flagraram uma colisão envolvendo um veículo que, ao entrar na contramão, perdeu o controle e atingiu outro carro que trafegava na direção contrária. O Corpo de Bombeiros informou que não foi necessário acionamento de socorro para esse caso.
Uma testemunha, que preferiu manter o anonimato, contou que o motorista do veículo era motorista de aplicativo e teria tido a direção prejudicada por uma falha mecânica, resultando na perda de freio. Segundo ela, o condutor tentou evitar uma colisão com veículos à frente ao fazer uma manobra arriscada, mas ninguém se feriu. A passageira foi conduzida ao destino por outras pessoas presentes no local.
A rodovia, conhecida popularmente como ‘Serrinha’, apresenta nomes diferentes conforme o município: em Maricá, é chamada Estrada de Itaipuaçu, enquanto em Niterói recebe a denominação de Estrada Gilberto Carvalho. Apesar das diferenças de nomes, ambos os trechos apresentam alta incidência de acidentes, incluindo quedas, colisões e capotagens, conforme dados do Corpo de Bombeiros referentes ao ano passado e aos primeiros meses de 2026.
De janeiro a abril deste ano, seis acidentes foram registrados na rodovia. Em Niterói, ocorreram uma capotagem de caminhão, além de colisões envolvendo motos, veículos e caminhões. Em Maricá, foram registradas incidentes semelhantes, com destaque para quedas de motocicletas e colisões com bicicletas. Ainda que esses números estejam abaixo dos registrados no ano anterior, representam uma preocupação, já que refletem apenas parte dos acidentes, uma vez que nem todos levam ao acionamento dos bombeiros.
Moradores que utilizam diariamente a estrada relatam uma sensação constante de insegurança, principalmente na subida, devido à forte inclinação e às curvas perigosas. Motoristas de aplicativo mencionam a frequência de acidentes na região, com relatos de pelo menos um incidente por semana, além de acidentes noturnos motivados por dificuldades na circulação de veículos pesados.
Restrições à circulação de caminhões são ignoradas por alguns condutores que trafegam pelo trecho de forma irregular. Apesar de proibição, há registros frequentes de veículos pesados transitando na estrada, especialmente durante a madrugada, período em que a fiscalização é considerada insuficiente. Em março, um caminhão tombou na subida da serra, interditando a rua por horas, e, poucos dias depois, outro veículo se envolveu em acidente na descida, causando a necessidade de interdição total da via.
Motoristas de caminhão relatam que a fiscalização diminui durante a noite, contribuindo para o tráfego irregular. Moradores confirmam a circulação de veículos pesados madrugada adentro, incluindo entregas regulares de mercadorias. As placas que alertam sobre monitoramento por câmeras parecem não dissuadir muitos condutores, que continuam a desafiar as regras.
A Serra da Tiririca, parte importante da ligação entre a Região Oceânica de Niterói e Itaipuaçu, registra alto fluxo de veículos diariamente. A Polícia Militar informou que realiza ações específicas na região para reforçar a segurança, com o apoio do Proeis em Maricá, buscando coibir irregularidades e melhorar as condições viárias. Apesar desses esforços, a questão sobre quem deve fiscalizar a via permanece controversa, já que o DER-RJ afirma que a administração do trecho é municipal, enquanto as prefeituras alegam que a responsabilidade é do Estado e das forças de segurança.
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