maio 1, 2026
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01/05/2026

Rogéria Bolsonaro é cotada para disputar Senado pelo Rio em 2026, em cenário de incerteza de Castro

Nos bastidores políticos do Rio de Janeiro, o nome de Rogéria Bolsonaro passou a ser considerado pelo Partido Liberal (PL) como uma possível candidata ao Senado em 2026. A movimentação ocorre em um momento de fragilização do ex-governador Cláudio Castro, que foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder nas eleições de 2022.

Fontes próximas ao partido indicam que, diante do cenário incerto acerca da permanência de Castro na disputa, aliados de Flávio Bolsonaro passaram a explorar alternativas. Entre essas, a inclusão de Rogéria Bolsonaro em pesquisas foi vista como um sinal de que o grupo já trabalha com uma estratégia de reserva, caso o nome de Castro se torne inviável para a disputa daquele ano. No entanto, a legenda no Estado mantém cautela pública, evitando afirmar oficialmente que Castro está fora do jogo eleitoral, uma vez que ainda há recursos no TSE que podem modificar a situação.

Recentemente, um levantamento realizado pelo Paraná Pesquisas apontou uma possível virada na corrida ao Senado. Na simulação onde Castro permanece na disputa, ele lidera a intenção de votos com 29,9%, ligeiramente à frente de Benedita da Silva, que registra 30,4%. Entretanto, em uma outra cenária, na qual Castro é excluído, Rogéria Bolsonaro aparece com 28,1%, ficando atrás de Benedita, que soma 32,3%. Esses dados despertaram debates internos dentro do campo bolsonarista sobre a validade do seu nome na disputa majoritária, diante de sua ligação com a família Bolsonaro.

Antes da condenação de Castro, o planejamento do PL previa uma composição mais alinhada com Márcio Canella, do União Brasil, como candidato ao Senado, e Rogéria Bolsonaro figurando como possível suplente. Contudo, a inelegibilidade do ex-governador complicou essa configuração, uma vez que sua presença ou ausência nas urnas depende da reversão do quadro jurídico.

Além da questão legal, Castro enfrenta queda na avaliação de seu governo, conforme um levantamento recente da Quaest. A pesquisa aponta uma redução na aprovação e um empate técnico entre Castro e Benedita na intenção de votos para o Senado, reforçando a instabilidade do atual cenário político e abrindo espaço para novas abordagens advindas do espectro de direita. Nesse contexto, Rogéria Bolsonaro surge como uma alternativa para manter um vínculo familiar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com potencial impacto em uma eleição majoritária que valorize o nome e a identificação política.

Política com históricos eleitorais próprios, Rogéria atuou como vereadora no Rio na década de 1990, período em que era esposa de Jair Bolsonaro. Em 2000, tentou renovar seu mandato, mas acabou na suplência após a eleição do próprio filho, Carlos Bolsonaro. Após anos afastada da política, reentrou no cenário eleitoral após 2018, quando Jair Bolsonaro venceu a presidência. Tentou uma vaga na Câmara Municipal do Rio em 2020, sem sucesso. Uma candidatura ao Senado representaria uma mudança de patamar na disputa, pois transferiria o enfoque de uma eleição proporcional para uma disputa majoritária, com maior apelo à identificação política e familiar.

A movimentação da família Bolsonaro pelo Senado envolve ainda outras regiões: Carlos Bolsonaro tenta uma vaga por Santa Catarina, e Michelle Bolsonaro é cotada para disputar o Senado pelo Distrito Federal. No Rio, o movimento é mais sensível por envolver o espaço de Castro, que tenta manter sua viabilidade eleitoral. A postura do PL busca evitar que a chapa dependa de nomes cuja elegibilidade esteja sob questionamento, e a possível candidatura de Rogéria funciona também como um teste para avaliar o peso do sobrenome na eleição no Estado.

A reação de Michelle Bolsonaro a uma eventual candidatura da irmã também é monitorada por aliados, dado o histórico de diferenças internas e sinais de divergências públicas, como ocorridos em dezembro passado. Até o momento, a estratégia de Rogéria parece atuar como uma medida de avaliação de força e de sinalização de que alternativas já estão sendo consideradas pela legenda, independentemente do desfecho do caso de Castro.


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