Em dezembro de 1983, o Brasil vivenciou um episódio que marcou sua história esportiva e policial ao sofrer o roubo da Taça Jules Rimet, símbolo da conquista mundial de 1970. O incidente ocorreu na sede da Confederação Brasileira de Futebol, no Rio de Janeiro, sob circunstâncias que revelaram fragilidade na segurança do órgão.
O roubo da estatueta de ouro, que representava o auge da era de ouro do futebol brasileiro, tratou-se de um episódio de negligência que recebeu ampla cobertura internacional. A Taça, conhecida por sua fabricação luxuosa, tinha sido conquistada após o tricampeonato mundial no México. Na ocasião, ela se encontrava exposta na sala da presidência da CBF, protegida por uma estrutura de vidro balística apoiada em uma moldura de madeira vulnerável.
O crime foi cometido por um grupo que invadiu o prédio após render o único vigilante presente. Com o uso de um pé de cabra, os criminosos desmontaram a estrutura de madeira, removendo a relíquia e outras três taças menores, sem o emprego de armas pesadas ou tecnologia avançada. A ação foi planejada por Sérgio Peralta, dirigente de futebol com trânsito livre na instituição, que recrutou dois homens para realizar a invasão. Posteriormente, a peça foi entregue a um comerciante de ouro argentino, Juan Carlos Hernandez, para ser derretida.
A investigação policial enfrentou dificuldades, incluindo denúncias de tortura policial para obtenção de informações e a ausência de provas concretas. O ouro, considerado valioso, desapareceu do mercado clandestino em poucos dias, dificultando sua recuperação. Apesar de sentenças judiciais em 1988, nenhum dos envolvidos cumpriu integralmente a pena em regime fechado. O caso permanece marcado por suspeitas de mortes misteriosas entre os acusados e pelo desaparecimento do ouro, que ainda hoje constitui um mistério na história policial e esportiva do país.
Atualmente, as investigações permanecem sem solução, e o paradeiro da Taça Jules Rimet continua sendo um enigma não resolvido.
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