Um pequeno sapo conhecido como sapo-pulga foi redescoberto na Região Serrana do Rio de Janeiro, mais precisamente em uma reserva ambiental de Nova Friburgo, quatro anos após sua descrição científica. O animal, que mede cerca de 1 centímetro — menor que uma moeda de um centavo — foi encontrado na Reserva Particular do Patrimônio Natural Alto da Figueira, localizada dentro da Área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima, gerenciada pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea).
A descoberta ocorreu durante uma aula de campo de estudantes de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Após a identificação inicial pelos alunos, uma equipe de pesquisadores confirmou a presença da espécie na região. A pesquisa envolveu parcerias com a APA Macaé de Cima, a RPPN Alto da Figueira e o instituição CiênciaBio.
O sapo-pulga, scientificamente conhecido como Brachycephalus clarissae, foi primeiramente descrito em 2022 por estudiosos da UERJ, do Museu Nacional e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com registros na Serra dos Órgãos. O novo avistamento amplia o entendimento sobre sua distribuição geográfica, indicando que a espécie habita outros trechos da mesma região serrana.
Diferente de outros anfíbios, o Brachycephalus clarissae nasce com forma adulta, dispensando a fase de girino. Os machos alcançam cerca de 9,6 milímetros, enquanto as fêmeas podem chegar a 10,9 milímetros de comprimento. Sua coloração é predominantemente amarela, com manchas vermelhas na barriga, uma faixa escura nas laterais e uma marca em formato de X nas costas, além de pequenos relevos na pele.
O habitat natural do sapo é a camada de folhas secas, galhos e matéria orgânica que cobre o solo das florestas, especialmente em áreas de Mata Atlântica preservadas. Esse ambiente úmido é vital para sua sobrevivência, dado o seu modo de vida discreto e sua preferência por esconderijos na serrapilheira.
A reiteração da espécie em uma propriedade protegida reforça a relevância das áreas de conservação. Como o Brachycephalus clarissae possui uma distribuição restrita, cada novo registro é considerado importante para compreender sua extensão e os fatores ambientais que favorecem sua persistência. Pesquisadores continuam analisando os dados coletados na reserva para aprofundar o conhecimento sobre sua delimitação geográfica e estratégias de preservação.
A Área de Proteção Ambiental de Macaé de Cima, que possui mais de 35 mil hectares de Mata Atlântica, abrange municípios como Nova Friburgo e Casimiro de Abreu. Criada para proteger nascentes, rios e a vegetação regional, ela abriga também reservas particulares como a RPPN Alto da Figueira, que desempenha papel fundamental na manutenção das espécies nativas. A recente descoberta evidencia a importância de ambientes protegidos para o estudo e a conservação de espécies pouco conhecidas da fauna brasileira.
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