outubro 23, 2026
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23/10/2026

Sete em cada dez trabalhadores fluminenses com contrato acima de 40 horas enfrentam mudanças com proposta de redução de jornada

No estado do Rio de Janeiro, mais de 2,6 milhões de trabalhadores com carteira assinada, representando aproximadamente 72,7% do total de celetistas, atuam em jornadas superiores a 40 horas semanais. A maior parte desses profissionais trabalha em micro e pequenas empresas, desempenhando funções em setores como comércio, limpeza e pequenos negócios.

Uma recente análise revelou que o perfil predominante desses trabalhadores é jovem, com menor nível de escolaridade, além de ser majoritariamente preto ou pardo. Dados indicam que entre aqueles com ensino fundamental incompleto, 85,6% têm contratos superiores a 40 horas, enquanto entre os que possuem formação superior o percentual cai para 47,4%. Quanto à faixa etária, 81,8% dos jovens entre 18 a 24 anos atuam em jornadas longas, o que equivale a aproximadamente 308 mil pessoas. Homens representam 62,1% dessa fatia, totalizando cerca de 1,64 milhão de trabalhadores, com as mulheres também bastante impactadas, de modo que duas em cada três trabalhadoras com carteira mantêm contratos acima de 40 horas semanais. Em relação à cor, os pretos e pardos representam 59% do grupo, com taxas de 76,6% e 75,7%, respectivamente, em jornadas superiores ao limite padrão.

Além disso, a remuneração média dos profissionais com contratos longos é de aproximadamente R$ 3.158 mensais, enquanto aqueles com jornada de 40 horas ganham, em média, cerca de R$ 8.098. A permanência no emprego também é menor entre quem trabalha mais de 40 horas, com uma média de 51 meses, contra 64 meses entre os que cumprem a carga horária convencional.

Os setores que concentram maior número de trabalhadores com jornadas superiores a 40 horas incluem hotelaria, comércio e construção civil, onde mais de 91% dos vínculos ultrapassam esse limite. No comércio, por exemplo, 92,2% dos empregados nesse regime, especialmente atendentes de lojas e mercados, estão nessa condição. As cidades que possuem maior proporção de trabalhadores nessas condições são Itatiaia, com 93,4%, e Paraíba do Sul, com 91,0%. Na dimensão absoluta, destaque para Duque de Caxias, Niterói e São Gonçalo, que apresentam, respectivamente, 131 mil, 119 mil e 78 mil trabalhadores envolvidos em jornadas extensas.

Atualmente, a maior quantidade de trabalhadores afetados está concentrada na capital, embora as taxas mais elevadas de jornadas longas sejam observadas no interior, na Baixada Fluminense e na região do Centro Sul. O impacto dessas condições de trabalho deve ser considerado à medida que o projeto de redução da jornada máxima a 40 horas semanais avançar, envolvendo diferentes setores e regiões do estado.


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