Na região costeira de Maricá, uma sequência incomum de quatro tremores de terra ocorreu em menos de 24 horas, todos detectados em profundidade no oceano Atlântico, a aproximadamente 100 quilômetros da costa. Nenhuma pessoa na área relatou sentir os abalos, e especialistas garantem que não há risco à população.
Os sismos tiveram magnitudes variadas, sendo o mais intenso um tremor de magnitude 3,3 registrado às 5h31 de um dia de semana. Depois, cerca de 25 horas após o primeiro movimento, ocorreu outro com magnitude 3,1 na mesma área. Dois abalos menores, de magnitudes 2,0 e 1,6, completaram a série de eventos. Os especialistas consideram esses últimos como réplicas naturais dos primeiros, em um padrão esperado após terremotos desse tipo.
Embora o Brasil esteja situado na latitude da Placa Sul-Americana, relativamente distanciado de regiões de grande atividade tectônica, o litoral do Sudeste guarda vestígios de antigas falhas geológicas. Essas estruturas, presentes na zona offshore entre Maricá e Cabo Frio, representam uma das principais áreas de atividade sísmica marítima do país, conforme indica o sismólogo Gilberto Leite, do Observatório Nacional. Os movimentos, de origem natural, decorrem das tensões oriundas do movimento da placa tectônica, com liberação periódica de energia.
A avaliação técnica indica que esses eventos não representam riscos à população. Tremores de magnitude abaixo de 4,0, ocorrendo a distâncias consideráveis da costa, perdem força ao atingir o continente, não causando danos às edificações. Além disso, a possibilidade de um tsunami a partir desses movimentos é considerada remota, uma vez que o Brasil possui uma margem continental considerada passiva, sem zonas de subducção próximas. Para gerar ondas de impacto significativo, seria necessário um terremoto de magnitude superior a 7,0 com deslocamento brusco do leito oceânico, o que não foi identificado nas ocorrências recentes.
Especialistas destacam que tremores de baixa magnitude, como os registrados, são rotina na região e muitas vezes passam despercebidos pelos moradores. Não há relação confirmada entre os movimentos e a exploração de petróleo na área, inclusive na camada do pré-sal, pois a profundidade dos eventos indica reativação natural de falhas geológicas antigas, e não influência de injeções de fluidos.
As recomendações principais para quem sentir algum tremor incluem manter a calma, buscar proteção sob mobília resistente, evitar janelas e objetos soltos e registrar o horário do evento. É importante também verificar possíveis vazamentos de gás e evitar a disseminação de informações não confirmadas. Serviços de emergência locais permanecem disponíveis 24 horas para eventuais atendimentos.
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