Um site que oferece criptomoedas em troca de publicações a favor de Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial está sob investigação da Justiça Eleitoral. A plataforma, que começou a operar recentemente, promete distribuir ativos digitais a usuários que compartilhem mensagens de apoio ao candidato. A campanha de Flávio nega qualquer vínculo com a página, enquanto a coligação de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou uma denúncia formal à Procuradoria-Geral Eleitoral nesta quinta-feira (8).
A iniciativa, segundo reportagem, associa o apoio ao número eleitoral 22 a uma tentativa de arrecadação para a organização infantil Hyperkids, de Uganda, conhecida por vídeos de dança na internet. O grupo, com quase 13 milhões de seguidores, vem promovendo a ação ligada às criptomoedas. Em vídeos publicados pelo perfil, membros do grupo anunciam a criação de um novo token que, alegadamente, visa ajudar o Brasil. Na mensagem, também são citados o deputado federal Nikolas Ferreira, Flávio Bolsonaro e o empresário Pablo Marçal, que recentemente apoiou a candidatura do ex-deputado.
A circulação dessa proposta levanta questionamentos sobre o cumprimento das normas de propaganda eleitoral na internet. A legislação proíbe a veiculação de publicidade paga na rede, salvo o impulsionamento de conteúdos por partidos, candidatos ou seus representantes, desde que devidamente identificados. Especialistas apontam que oferecer vantagens econômicas em troca de divulgação eleitoral pode configurar irregularidade, além de levantar dúvidas sobre o controle dos responsáveis pelo projeto e o grau de envolvimento da campanha de Flávio Bolsonaro.
A página do site afirma que a distribuição dos tokens não está vinculada a votos, preferências políticas ou divulgação eleitoral. Alega, ainda, que a iniciativa não possui reconhecimento oficial nem ligação com políticos, partidos ou campanhas, e nega tratar-se de doação eleitoral. A campanha de Flávio Bolsonaro declarou não ter conhecimento sobre os responsáveis pela plataforma e que adotará providências legais para retirar o site do ar, além de negar qualquer contratação de perfis para promover conteúdo relacionado à candidatura.
Por sua vez, a coligação apoiadora de Lula também protocolou denúncia nesta quinta-feira, solicitando que as autoridades investiguem a origem da iniciativa e possíveis violações eleitorais. A denúncia aponta a suspeita de uso de estrutura comercial para promover propaganda ou atrair eleitores, atos considerados ilegais pelo Código Eleitoral. O caso agora passa pela análise do órgão competente, que irá apurar a veracidade das alegações e responsabilizar os envolvidos, se for o caso.
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