maio 14, 2026
maio 14, 2026
14/05/2026

STF investiga uso de emendas na produção do filme sobre Bolsonaro e possíveis irregularidades

Desde o início de março, o Supremo Tribunal Federal (STF) vem tentando notificar o deputado federal Mário Frias para que esclareça a destinação de emendas parlamentares destinadas a organizações vinculadas à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”. A ação foi determinada pelo ministro Flávio Dino, que investiga possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos, no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 854.

A solicitação teve origem em uma representação apresentada pela deputada Tabata Amaral, que aponta a possível irregularidade na alocação de verba pública em entidades associadas à empresária Karina Ferreira da Gama. Segundo a parlamentar, Frias teria destinado pelo menos R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura (ANC), ligada a Gama. Além da ANC, Karina também lidera o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a produtora Go Up Entertainment, responsável pela produção de “Dark Horse”, cujo lançamento está previsto para setembro, às vésperas das próximas eleições.

Dados nos autos do processo indicam que oficiais de Justiça visitaram o gabinete de Frias, na Câmara dos Deputados, ao menos três vezes, entre março e abril, embora os assessores do parlamentar tenham informado que ele estaria em São Paulo, cumprindo agendas políticas, sem fornecer detalhes sobre sua localização.

O foco do inquérito é a origem das verbas destinadas às entidades vinculadas a Karina Ferreira. A investigação foi impulsionada por uma reportagem publicada em dezembro de 2025, que revelou a transferência de R$ 2,6 milhões em emendas parlamentares indicadas por deputados do Partido Liberal (PL), legenda de Jair Bolsonaro. Entre esses deputados, estão Frias, Bia Kicis e Marcos Pollon. A parlamentar Tabata Amaral contesta o uso dessas verbas, alegando que as entidades atuariam de modo integrado, dificultando o rastreamento dos recursos públicos, além de levantarem suspeitas de financiamento de produções ideológicas.

Respondendo à intimação do STF, Pollon informou que destinou R$ 1 milhão à Secretaria de Cultura de São Paulo para viabilizar um projeto audiovisual, que, segundo ele, não foi finalizado devido ao não atendimento de exigências técnicas. Em decorrência, o recurso foi direcionado ao Hospital de Amor, em Barretos. Ele afirmou que a ausência de execução da proposta elimina qualquer suspeita de desvio ou irregularidade na aplicação dos recursos públicos.

Bia Kicis, por sua vez, confirmou ter enviado R$ 150 mil para uma série documental, mas declarou que a quantia não chegou a ser utilizada. A deputada classificou como “mal-intencionada” a representeção de Tabata Amaral e afirmou que não há relação entre sua emenda e o filme “Dark Horse”. Para ela, a associação feita entre os projetos seria um equívoco técnico e jurídico, além de negar qualquer uso de verba pública para financiar produções relacionadas a Bolsonaro. Kicis destacou que sua intenção era fomentar o setor audiovisual e estimular a economia criativa, além de promover projetos ligados à história nacional.

Após o seu acionamento, a Advocacia da Câmara dos Deputados informou ao STF que não encontrou irregularidades nas duas emendas atribuídas a Frias. O órgão reforçou que as indicações estavam em conformidade com os procedimentos legais.

Recentemente, o site The Intercept Brasil revelou mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo a reportagem, Flávio teria solicitado cerca de R$ 134 milhões para financiar “Dark Horse”, dos quais pelo menos R$ 61 milhões teriam sido liberados. As mensagens indicam que o envio de recursos teria ocorrido antes da prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero, investigando supostas fraudes financeiras envolvendo o banco e o Sistema Financeiro Nacional. Em um dos trechos divulgados, Flávio Bolsonaro menciona dificuldades financeiras enfrentadas pela produção do filme e cobra recursos para quitar parcelas atrasadas, detalhando que o momento é decisivo para o andamento do projeto.

Mário Frias, que atuou como secretário especial da Cultura no governo Bolsonaro e atualmente é deputado federal, afirmou que Flávio Bolsonaro não possui participação societária na produção ou na Go Up Entertainment. Frias também garantiu que o longa ainda não recebeu recursos do Banco Master ou de Daniel Vorcaro. O parlamentar destacou que, mesmo com investimentos privados, não há irregularidades, uma vez que se trata de uma relação entre agentes do setor privado, sem uso de verba pública. Frias reforçou que “Dark Horse” será financiado com recursos exclusivamente de origem privada, e que o projeto contará com elenco e equipe de alta projeção internacional, em padrão hollywoodiano.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad