Supermercados no Rio de Janeiro têm adotado tecnologias de Inteligência Artificial para ajustar preços em tempo real, por meio de etiquetas digitais que realizam a precificação dinâmica. Essa prática, comum em setores como transporte de passageiros e companhias aéreas, permite alterações automáticas nos valores exibidos, sem necessidade de intervenção manual por funcionários.
O sistema funciona com o uso de algoritmos sofisticados que analisam diversos dados simultaneamente. Entre os fatores considerados estão a proximidade do vencimento de produtos, a movimentação na loja e condições climáticas esperadas para o fim de semana. Por exemplo, preços de produtos próximos ao vencimento podem ser automaticamente reduzidos para evitar desperdício. Nos horários de maior fluxo de clientes, os valores podem subir, enquanto em períodos de menor movimento, tendem a diminuir. Além disso, condições meteorológicas impactam na variação de preços, especialmente de itens relacionados ao calor, como bebidas e carnes de churrasco.
Legalmente, o uso dessa tecnologia é permitido, mas o Código de Defesa do Consumidor estabelece limites. Caso o preço cobrado na fila seja superior ao valor registrado na etiqueta digital, o estabelecimento deve cobrar o menor valor exibido inicialmente. Além disso, alterações nos preços não podem ser ocultadas ou realizadas de forma a induzir erro ao consumidor.
Outra prática relacionada é a coleta de dados pessoais na hora do pagamento, como o uso do CPF em aplicativos de descontos. Essa estratégia visa oferecer promoções personalizadas, embora exista o risco de o sistema identificar uma fidelidade excessiva a certas marcas e limitar os descontos, direcionando ofertas a produtos que o consumidor normalmente não compra.
No Rio de Janeiro, grandes redes varejistas já implementam etiquetas eletrônicas e painéis de LED em lojas como o Via Parque e a loja conceito na Rua Visconde de Pirajá, na zona sul da cidade. A expansão dessas tecnologias deve continuar nos próximos anos, com a expectativa de que o mercado local se torne um dos principais polos de testes para esse modelo de vendas digitalizada.
Apesar do avanço tecnológico, consumidores devem permanecer atentos às mudanças de preços e conhecer seus direitos. Verificar o valor na gôndola ou na etiqueta antes de finalizar a compra é fundamental para evitar prejuízos, especialmente se houver divergência na cobrança no caixa.
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