maio 15, 2026
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15/05/2026

TCE-RJ investiga licitação de radares no Rio por suspeitas de irregularidades e possível direcionamento

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) iniciou uma investigação para apurar possíveis irregularidades na licitação conduzida pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER-RJ) para instalação de 302 novos radares eletrônicos em rodovias estaduais. A análise envolve contratos que ultrapassam R$ 230 milhões, podendo atingir quase R$ 1 bilhão em caso de prorrogação por até uma década.

A suspeita aumentou após a revelação de que a diferença entre a proposta vencedora de um dos lotes, apresentada pela empresa Splice Indústria, Comércio e Serviços Ltda, e a segunda colocada, a CLD Construtora Laços Detectores e Eletrônica Ltda, foi de apenas um centavo. Além disso, a análise das atas do procedimento licitatório apontou uma sequência de lances com valores muito semelhantes, além de uma troca considerada incomum entre os participantes, o que levanta dúvidas sobre a competitividade do certame.

A denúncia foi formalizada pelo deputado Vitor Júnior (PDT), que também levou o caso à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). De acordo com o parlamentar, as empresas envolvidas atuam juntas em consórcios em outros estados e, em São Paulo e Amazonas, uma delas já responde por investigação relacionada a suspeita de desvio superior a R$ 100 milhões. Segundo o deputado, a licitação não ocorreu de forma livre, indicando possível direcionamento do processo.

A concorrência foi realizada em outubro de 2024, mas o resultado só foi homologado e divulgado no Diário Oficial em fevereiro de 2026. Apesar das investigações em andamento, as obras de instalação dos radares já tiveram início. Com a assinatura do contrato, o número de equipamentos passará de 88 para 390, distribuídos por diversas regiões do estado, incluindo a Metropolitana, Sul Fluminense, Serrana, dos Lagos, Costa Verde e Norte Fluminense.

Após análise da denúncia, o TCE-RJ ordenou que o DER preste explicações em cinco dias. A decisão, assinada pela conselheira Andrea Siqueira Martins, também foi encaminhada à Secretaria-Geral de Controle Externo e ao Ministério Público de Contas.

Enquanto o estado investe milhões na ampliação dos radares, muitas estradas estaduais permanecem negligenciadas. A RJ-106, principal ligação de Maricá com a Região Metropolitana do Rio, encontra-se há mais de um ano com obras de recapeamento suspensas. Trechos em condições críticas convivem com radares ativos, evidenciando uma desconexão entre o investimento na fiscalização eletrônica e a manutenção da malha viária. A perspectiva futura inclui a expansão do sistema de fiscalização, mesmo em meio ao abandono da infraestrutura rodoviária.


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