O teatro de sombras “Memória Matriz” apresenta uma reflexão sobre a formação da identidade feminina e os efeitos da violência de gênero, focando nas influências de memórias, símbolos e papéis sociais transmitidos ao longo das gerações. A peça, produzida pela Cia Lumiato, estará em cartaz em maio, com apresentações em cinco unidades do SESC no Rio de Janeiro, durante o projeto Sesc Pulsar 2026.
A montagem foi concebida a partir de questões relacionadas à condição da mulher na sociedade contemporânea. Por meio de uma linguagem visual poética que combina sombras, luzes, fotografia analógica e trilha sonora original, o espetáculo cria um espaço de memória e resistência, entrevistando as relações entre mãe e filha. Estas relações representam metáforas dos afetos, silêncios e padrões repetidos ao longo de gerações, revelando como os papéis femininos são socialmente construídos, moldados e muitas vezes impostos.
A direção é liderada pela argentina Ana Alvarado, reconhecida pelo seu trabalho inovador em teatro de objetos e artes híbridas. A peça conta ainda com atuações de Soledad Garcia e Katiane Negrão, além de uma trilha sonora composta por Fernanda Cabral. Segundo Garcia, o espetáculo nasce de uma observação sobre a transmissão simbólica do feminino e a necessidade de revisitar e transformar os ciclos sociais relacionados à maternidade, matrimônio e cuidado.
No contexto atual, a obra assume caráter de denúncia e reflexão, especialmente diante dos altos índices de feminicídio registrados no país. A proposta é provocar o público a questionar estruturas naturalizadas e pensar em caminhos para a liberdade e o reconhecimento social das mulheres. As apresentações são gratuitas e voltadas para maiores de 14 anos, ocorrendo em diferentes unidades do SESC no Rio de Janeiro.
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