Na manhã desta quarta-feira, habitantes de Jardim Catarina, em São Gonçalo, enfrentaram momentos de tensão e interrupções nas atividades cotidianas. O clima de protesto decorreu da morte de dois trabalhadores durante uma operação policial na região.
Como consequência, a Polícia Militar determinou a suspensão de várias linhas de ônibus que atendem o bairro, impactando deslocamentos essenciais para moradores que dependem do transporte público para trabalhar, estudar, buscar serviços de saúde ou acessar outras áreas da cidade e da Região Metropolitana. Aproximadamente dez linhas tiveram seus serviços interrompidos por questões de segurança, incluindo trajetos como Jardim Catarina a Covanca, Santa Luzia a Venda da Cruz, além de linhas que ligam o bairro a Alcântara, Maria Paula e outras localizações próximas.
A situação também afetou o funcionamento de unidades de ensino locais, que tiveram as aulas suspensas. Entre as instituições afetadas estão creches e escolas municipais, incluindo a Escola Municipal Professora Aida Vieira e o CIEP Anita Garibaldi.
Durante as manifestações, ocorridas após a morte de Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, e Edivan Felipe de Assis, de 46, evidenciou-se uma forte resposta popular. Os envolvidos estavam em uma motocicleta quando foram baleados na operação policial, segundo relatos de familiares e moradores. Nas ruas, houve incêndio de pneus, bloqueios de vias e congestionamentos na BR-101, principalmente na altura do km 306, onde a Polícia Rodoviária Federal confirmou interdições e retenções.
Ainda na manhã, um ônibus da linha 413, que seguia para Niterói, foi parado por um manifestante; posteriormente, a chave do veículo foi retirada, ficando o coletivo parado até a chegada de uma reserva. Essas ações, além do conflito e dos protestos, reforçam a instabilidade na região.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que a investigação da morte está conduzida pela Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. As diligências incluem apreensão de armas policiais envolvidas, análise de imagens de câmeras corporais e confronto balístico. A Polícia Militar declarou que já instaurou procedimento interno para apurar as circunstâncias do ocorrido e afirmou estar colaborando com as apurações. A corporação também lamentou as mortes dos trabalhadores.
O episódio trouxe à tona discussões sobre as operações policiais em áreas urbanas, abordagens seguras e o uso da força, alimentando debates sobre a segurança pública na região metropolitana.
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