Nos últimos três dias, a Polícia Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro realizaram três operações que resultaram na prisão de 36 policiais sob suspeita de envolvimento com organizações criminosas na região. As ações destacam o avanço de facções ilegais sobre estruturas das forças de segurança local.
As detenções ocorreram em diferentes fases das operações e envolvem agentes de diferentes órgãos, incluindo um delegado da própria Polícia Federal. Destas, 19 prisões foram efetuadas por membros do Ministério Público ligados ao combate ao jogo do bicho, enquanto 17 policiais foram presos pela PF. As investigações fazem parte do posicionamento do Supremo Tribunal Federal na ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que determinou a apuração de possíveis conexões entre facções criminosas, policiais e agentes políticos.
A ofensiva mais recente, a terceira fase da Operação Anomalia, focou em ações que identificam um braço armado do Comando Vermelho destinado à proteção do tráfico. Sete policiais militares foram detidos por, supostamente, fornecer escoltas a traficantes, inclusive durante deslocamentos para consultas médicas e eventos fúnebres. Entre as situações investigadas, está a proteção ao influenciador Hytalo Santos durante o evento conhecido como “Baile da Escolinha”, promovido no Complexo do Alemão. As informações indicam que um traficante, conhecido como Índio do Lixão, teria ordenado a segurança do influenciador a um policial militar, Rodrigo Oliveira de Carvalho, sob comando de Gabriel Dias de Oliveira, tido como um líder do tráfico na região.
Áudios e vídeos coletados na investigação revelam conversas entre o traficante e policiais, além da presença de Hytalo, Índio do Lixão e do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, na comunidade, em julho de 2024. Este último foi preso posteriormente na mesma operação e, posteriormente, condenado por envolvimento em produção pornográfica com menores de idade.
As operações, conduzidas pelos delegados Geraldo Almeida e Samuel Escobar — integrantes da força-tarefa Redentor II — visam desmantelar núcleos do Comando Vermelho que atuam politicamente, na polícia e no tráfico, identificados através das ações Zargun e Oricalco. O inquérito tramita no STF sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e ao todo reúne equipes de diversos estados especializadas na investigação de organizações criminosas e lavagem de dinheiro.
D outorado em evidências, a investigação apontou uma ligação central entre o traficante Índio do Lixão e o componente político da facção criminosa. Segundo as apurações, esse elo teria sido estabelecido pelo advogado Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário de Defesa do Consumidor, anteriormente preso próximo ao traficante e ao parlamentar Thiego. Carracena voltou a ser alvo de mandado de prisão na primeira fase da operação.
Ainda durante essa fase, foi preso o delegado federal Fabrizio Romano, apontado por investigação como tendo cobrado R$ 150 mil de Índio do Lixão para evitar a saída de um traficante internacional do Brasil. Além dele, a advogada do traficante também foi presa.
Na segunda fase da operação, foco foi a Polícia Civil da 44ª Delegacia de Polícia de Inhaúma, com a detenção do delegado Marcos Henrique de Oliveira Alves, seu irmão, o comissário Franklin José de Oliveira Alves, e o agente Leandro Moutinho de Deus. As investigações revelam que esses policiais eram acusados de coagir e extorquir membros do tráfico, incluindo uma requisição de R$ 1,5 milhão a Índio do Lixão para encerrar investigações contra o criminoso.
Simultaneamente, uma operação do Ministério Público indicou a prisão de 19 policiais suspeitos de envolvimento com o esquema de proteção ao jogo do bicho. Essas ações evidenciam a extensão da infiltração do crime organizado em setores das forças de segurança do estado e destacam a complexidade das investigações que ainda estão em andamento.
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